Tarifaço de Trump: Brasil é alvo, mas impacto pode ser restrito

Economista Monica de Bolle avalia que tarifas de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros terão impacto restrito devido a isenções, revelando limites do protecionismo americano. Brasil cogita retaliação e levar caso à OMC.

Tarifaço de Trump: Brasil é alvo, mas impacto pode ser restrito

A recente imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros pelo governo dos Estados Unidos, anunciada na quarta-feira (15/07), deve ter um impacto restrito no comércio bilateral. A avaliação é da economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics (PIIE), que destaca a extensa lista de itens isentos divulgada por Washington. Segundo De Bolle, a medida, que visa proteger interesses econômicos americanos e combater práticas comerciais consideradas desleais, revela os limites do protecionismo e da influência do presidente Donald Trump em um cenário globalizado. "Apesar de aparentemente não quererem mais isso, os Estados Unidos são uma economia muito integrada com o resto do mundo", afirmou a especialista, ressaltando que o poder de barganha americano é menor na prática do que na retórica.

A economista classifica a ação americana como uma "ação coercitiva política", sem uma lógica econômica clara por trás, e que entra em vigor em 22 de julho. Caso se concretize, o Brasil se tornará o país com o maior aumento de alíquotas americanas desde o início do mandato de Trump. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) justificou a medida pela necessidade de garantir condições justas para trabalhadores e empresas americanas, apesar de negociações ao longo do último ano não terem resolvido as divergências.

## Isenções e Respostas

A lista divulgada pelos EUA inclui mais de 2,2 mil itens com isenção tarifária, como carnes bovinas, frutas, café, minerais, fertilizantes e aeronaves. Essa exclusão de produtos importantes, segundo De Bolle, demonstra os limites da aplicação dessas medidas protecionistas. Diante das dificuldades de negociação, a expectativa é que as conversas futuras ocorram mais no âmbito privado, entre empresas e setores específicos, configurando uma "balcanização do comércio".

O governo brasileiro, em nota oficial, repudiou a decisão, classificando o dia 15 de julho como "um marco lastimável" nas relações bilaterais. O Brasil já iniciou os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade e levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). Monica de Bolle alertou que uma ação retaliatória brasileira poderia desencadear uma guerra comercial com os EUA, algo prejudicial a ambos os lados. Ela sugere que uma resposta limitada poderia ser uma alternativa para sinalizar oposição sem escalar o conflito.

## Contexto Político das Tarifas

A economista enfatiza o caráter político da medida, citando manifestações que associam a decisão a disputas políticas internas nos EUA. A ação é vista como um "test case" para novas estratégias tarifárias americanas após decisões da Suprema Corte. O USTR, através de Jamieson Greer, reiterou a abertura para novas conversas com Brasília, apesar do anúncio das tarifas.