Tarifa dos EUA penaliza calçados brasileiros e derruba projeção de exportação

Nova tarifa de 25% dos EUA sobre calçados brasileiros reduz projeção de exportação para 7,1% em 2026. Setor alerta para perda de competitividade e impacto em toda a cadeia produtiva e de consumo.

Tarifa dos EUA penaliza calçados brasileiros e derruba projeção de exportação

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) expressou forte preocupação com a recente decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de impor uma tarifa adicional de 25% sobre diversas importações brasileiras, incluindo calçados. Esta medida impacta diretamente a competitividade do setor, levando a Abicalçados a revisar drasticamente sua projeção para as exportações totais de calçados em 2026.

A nova previsão aponta para uma retração média de 7,1% nas exportações, uma piora significativa de 3,5 pontos percentuais em comparação com a estimativa anterior, que previa uma queda de 3,6%. A decisão americana, tomada no âmbito de uma investigação sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, não previu exceções para o setor calçadista brasileiro.

## Competição e Impactos Econômicos

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destacou que a nova tarifa "reduz significativamente a competitividade do calçado brasileiro nos Estados Unidos e inviabiliza muitas operações que vinham sendo retomadas". Ele ressaltou que a medida penaliza não apenas os fabricantes brasileiros, mas também importadores, marcas, varejistas e consumidores americanos, que enfrentarão preços mais altos e menor variedade.

O impacto estimado da nova tarifa, que afeta até 18% das exportações do Brasil para os EUA, pode chegar a US$ 7,4 bilhões. O governo brasileiro já sinalizou que oferecerá apoio aos setores mais afetados pela medida.

## Articulação e Perspectivas

A Abicalçados informou que atuou em articulação com o governo federal e entidades do setor nos Estados Unidos para apresentar argumentos contrários à tarifa. A entidade participou de uma audiência pública do USTR em Washington, em 7 de julho, detalhando os potenciais impactos negativos da taxação. Os Estados Unidos são um mercado consumidor expressivo, com mais de 2 bilhões de pares de calçados consumidos anualmente, frente a uma produção local de cerca de 20 milhões de pares, evidenciando a dependência de importações.