Tarifa de 37,5% nos EUA afeta calçados e têxteis brasileiros

EUA impõem tarifa cumulativa de 37,5% sobre calçados, têxteis e máquinas brasileiros. Brasil contesta, classifica medida como ilegítima e promete negociar.

Tarifa de 37,5% nos EUA afeta calçados e têxteis brasileiros

O Brasil se prepara para enfrentar uma nova barreira comercial com os Estados Unidos, que anunciou a imposição de tarifas adicionais sobre diversos produtos brasileiros. A combinação da tarifa existente de 25% com a nova alíquota de 12,5% eleva a carga tributária para 37,5% em setores cruciais como calçados, máquinas e equipamentos, peças, componentes, têxteis, confecções e químicos não farmacêuticos. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, a medida é considerada "ilegítima e descabida" pelo governo brasileiro.

## Impacto setorial e justificativas

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e outros representantes industriais manifestaram preocupação com o impacto da nova tarifa, que pode reduzir a competitividade das empresas brasileiras no mercado americano. O diretor da Abit, Fernando Pimentel, contestou a justificativa dos EUA relacionada ao combate ao trabalho escravo, afirmando que o Brasil possui legislação avançada e mecanismos de fiscalização eficazes. "É injusto. Mas não adianta falar que é injusto. É o que temos para hoje", declarou Pimentel, indicando a necessidade de negociação dentro do novo cenário.

O setor têxtil, que já sentiu os efeitos da tarifa anterior, vê agora uma nova pressão, especialmente em nichos como moda praia, onde os EUA representam cerca de 35% das exportações brasileiras. Vestidos e saias têm aproximadamente 30% de suas exportações direcionadas ao mercado americano, e meias, cerca de 27%.

## Resposta do Governo e Negociações

O ministro Márcio Elias Rosa reiterou que o governo brasileiro contestará a decisão e utilizará todos os mecanismos disponíveis para rechaçar a taxa, ressaltando o compromisso histórico do país no combate ao trabalho forçado. Ele também mencionou a possibilidade de acionar a Lei da Reciprocidade, caso necessário, para defender os interesses nacionais. "Se for necessário acionar o instrumento da reciprocidade, o Brasil não hesitará", frisou.

Apesar da imposição das novas tarifas, cerca de 2 mil produtos brasileiros, incluindo carne, café, suco de laranja e frutas, permanecem isentos. Celulose e pescados, por outro lado, estarão sujeitos à alíquota de 12,5%. O governo brasileiro planeja retomar as negociações com os EUA no mês seguinte e busca um equilíbrio entre a defesa comercial e o aumento da competitividade, além de programas de apoio emergenciais para os setores mais afetados.