Tarifa de 37,5% nos EUA afeta 4 mil produtos brasileiros

Nova tarifa de 12,5% dos EUA eleva tributação para 37,5% em quase 4 mil produtos brasileiros, impactando 48,7% das exportações totais.

Tarifa de 37,5% nos EUA afeta 4 mil produtos brasileiros

Quase 4 mil produtos brasileiros, totalizando 3.985 itens, passarão a enfrentar uma tarifa de 37,5% para serem exportados aos Estados Unidos. A nova sobretaxa adicional de 12,5%, imposta pelo governo americano, eleva a tributação total para esses produtos, que representam US$ 12,4 bilhões em vendas, ou 29,4% do total exportado pelo Brasil aos EUA. As novas tarifas entram em vigor nesta sexta-feira (24/07).

## Impacto nas Exportações Brasileiras

Com a adição desta nova tarifa, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que 48,7% de todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos estarão sujeitas a algum tipo de sobretaxa. Essa medida decorre de uma investigação americana baseada na Seção 301 da Lei de Comércio, que concluiu que o Brasil e outros países não possuem mecanismos suficientes para coibir a importação de bens produzidos com trabalho análogo à escravidão.

A CNI, contudo, contesta a justificativa apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A entidade argumenta que o Brasil possui uma das legislações mais avançadas globalmente para prevenir, combater e erradicar o trabalho forçado em suas cadeias produtivas, com mecanismos de fiscalização e responsabilização reconhecidos internacionalmente.

## Negociações e Repercussões

O presidente da CNI, Ricardo Alban, enfatizou a necessidade de intensificar o diálogo entre os governos brasileiro e americano para mitigar os impactos sobre a indústria nacional. Ele destacou a importância de ações rápidas para amparar as empresas prejudicadas pela nova tarifa. A CNI já dialoga com o governo federal e setores afetados para desenvolver medidas de curto prazo.

A investigação dos EUA abrangeu 60 parceiros comerciais. O Brasil foi incluído na lista de países que, segundo a avaliação americana, falharam em implementar proibições eficazes à importação de bens produzidos sob trabalho forçado. A nova tarifa de 12,5% se soma, em muitos casos, a uma sobretaxa de 25% já em vigor.