Skaf: "Picuinhas" políticas prejudicam relação Brasil-EUA

Paulo Skaf, presidente da Fiesp, critica "picuinhas" políticas que afetam relação Brasil-EUA e defende diplomacia empresarial para superar tarifas americanas e proteger setores específicos.

Skaf: "Picuinhas" políticas prejudicam relação Brasil-EUA

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, criticou as "picuinhas" políticas que, segundo ele, estão prejudicando as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Em entrevista, Skaf apontou que disputas políticas entre os dois países desviam o foco de negociações técnicas e comerciais, especialmente diante da recente imposição de tarifas americanas sobre produtos brasileiros.

## Diplomacia Empresarial em Foco

Skaf defendeu a priorização de uma boa relação comercial com os Estados Unidos, classificando a diplomacia empresarial como a principal ferramenta para superar o impasse. Ele ressaltou que uma parcela significativa das isenções tarifárias já obtidas pelo Brasil não foi resultado de negociações governamentais, mas sim da atuação direta de empresas brasileiras junto a seus parceiros americanos. O líder industrial argumentou que o Brasil deve evitar declarações que possam ofender um parceiro comercial importante e a maior economia do mundo, sugerindo que certas posturas confrontadoras foram motivadas por "intenções eleitorais".

## Impacto das Tarifas e Críticas

Ao analisar o impacto econômico do tarifaço americano de 25%, Paulo Skaf avaliou que, em termos macroeconômicos, o efeito é limitado. Ele explicou que as exportações brasileiras para os EUA representam cerca de 10% do total global e que a maior parte já é isenta de tarifas. No entanto, Skaf alertou para os prejuízos setoriais, destacando que algumas empresas e segmentos específicos podem ser severamente afetados, o que, em sua visão, exige atenção e defesa de empregos brasileiros. Skaf também se posicionou firmemente sobre as críticas americanas ao Pix, afirmando que a implementação e o interesse no sistema de pagamentos instantâneos são questões internas do Brasil e não dizem respeito aos EUA. Ele reconheceu as preocupações americanas com desmatamento e pirataria, mas indicou que o Brasil tem combatido ambos os problemas, sugerindo que a falta de boa vontade política é o principal obstáculo.