Setores Brasileiros Buscam Diálogo Contra Novas Taxas dos EUA
Setores brasileiros criticam novas tarifas dos EUA, que elevam a taxação a 37,5%, e buscam negociação para evitar escalada comercial.

## Impacto das Novas Tarifas
Os setores industriais brasileiros mais afetados pelas recentes sobretaxas impostas pelos Estados Unidos defendem a priorização das negociações diplomáticas para reverter as medidas. A nova tarifa de 25% sobre exportações destinadas ao mercado americano, somada a uma cobrança anterior de 12,5%, eleva a taxação total para 37,5% em segmentos como confecções, máquinas e equipamentos, e calçados. A Abicalçados estima que a queda nas exportações de calçados para os EUA pode saltar de 3,6% para mais de 7% com a nova cobrança.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, cerca de 16,5% das exportações brasileiras ficarão sob o impacto combinado das duas tarifas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta que quase 4 mil produtos nacionais serão atingidos. Curiosamente, itens estratégicos para a economia americana, como café, carne e suco de laranja, permanecem isentos das novas cobranças.
## Política Protecionista e Preocupações Setoriais
Felippe Serigati, pesquisador do FGV Agro, interpreta as tarifas como uma clara política protecionista dos Estados Unidos, visando fortalecer sua própria indústria e reindustrialização. Para o setor de mármore e granito, que já via suas exportações caírem 55% após uma tarifa anterior revertida judicialmente, a situação se agrava. A Associação Brasileira de Rochas Naturais ressalta a importância do mercado americano, que também beneficia empresas dos EUA com matéria-prima brasileira, sustentando cerca de 200 mil empregos no país.
## Caminhos para Solução
Em resposta às medidas, o governo brasileiro sinalizou a intenção de acionar a Lei da Reciprocidade Econômica. Contudo, representantes do setor empresarial, como a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), consideram o diálogo e a negociação a via mais eficaz. Abrão Neto, presidente da Amcham, alerta para o risco de uma escalada comercial e política caso a reciprocidade seja o único caminho, reforçando o consenso empresarial sobre a necessidade de diplomacia para solucionar a questão.
- Setores como confecções, máquinas, calçados e rochas naturais são os mais impactados.
- A taxação total pode chegar a 37,5% sobre exportações para os EUA.
- Empresas brasileiras e americanas podem sofrer com as novas tarifas.
- O diálogo e a negociação são apontados como a melhor solução pelas entidades empresariais.