Sede Histórica dos Correios no Rio Vai a Leilão por R$ 47 Milhões
Histórica sede dos Correios no Rio de Janeiro, construída em 1878, vai a leilão por lance mínimo de R$ 47,8 milhões devido a prejuízos bilionários da estatal.

O Governo Federal anunciou a venda da histórica sede dos Correios, localizada no Centro do Rio de Janeiro. O edifício, que ocupa um quarteirão inteiro e possui quase 10 mil metros quadrados, foi construído em 1878 e é um marco arquitetônico da cidade há 148 anos. O leilão está marcado para 30 de julho, com um lance mínimo inicial de R$ 47,8 milhões.
## Patrimônio Histórico em Leilão
A antiga sede nacional do Correio Geral, situada na Rua Primeiro de Março, 64, é um dos edifícios mais simbólicos da história das comunicações brasileiras. Erguido durante o Império, o prédio foi projetado especificamente para abrigar os serviços postais e manteve essa associação por quase um século e meio. A decisão de alienar este imóvel icônico ocorre em meio a uma profunda crise financeira enfrentada pelos Correios.
A empresa, que registrou lucros entre 2019 e 2021, voltou ao vermelho em 2022 e viu seus prejuízos aumentarem drasticamente nos anos seguintes. Em 2024, o prejuízo atingiu aproximadamente R$ 2,45 bilhões, saltando para cerca de R$ 8,46 bilhões em 2025. É neste cenário que o edifício eclético de cinco pavimentos, vizinho a importantes marcos como o CCBB e a Casa Brasil, será leiloado.
## Detalhes da Venda e Relevância Arquitetônica
O imóvel conta com uma área construída estimada em 9.059,81 metros quadrados e ocupa um terreno de 1.585,30 metros quadrados, abrangendo um quarteirão completo. O valor inicial de venda foi fixado em R$ 53.598.124,72, podendo cair para R$ 47.798.383,94 em rodadas posteriores. O edital ressalta pendências de regularização registral e divergências entre cadastros, que serão de responsabilidade do futuro comprador.
Por integrar o conjunto histórico protegido do Centro do Rio, qualquer intervenção ou mudança de uso no prédio exigirá aprovação dos órgãos de preservação, garantindo que sua arquitetura original seja respeitada. A venda levanta debates sobre a necessidade de o governo se desfazer de um símbolo tão marcante dos Correios no Brasil, em detrimento da iniciativa privada que poderá investir no imóvel.