Rotativo do Cartão: O Vilão por Trás do Endividamento Familiar Recorde

O crédito rotativo do cartão é apontado como principal responsável pelo recorde de endividamento familiar no Brasil, com juros altíssimos e mecanismo automático que dificulta o controle da dívida.

Rotativo do Cartão: O Vilão por Trás do Endividamento Familiar Recorde

O endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde, superando os patamares mais altos registrados desde o início do acompanhamento pelo Banco Central. Uma das principais razões apontadas para essa escalada é o crédito rotativo do cartão, considerado o maior vilão das finanças domésticas no país.

## O Mecanismo Perigoso do Rotativo

Pedro Daniel Magalhães, executivo do mercado financeiro, explica que o rotativo do cartão de crédito funciona de maneira quase automática. Quando o consumidor não consegue quitar a fatura integral, o saldo devedor é transferido para essa modalidade, que cobra juros entre os mais altos do mercado. Diferentemente de financiamentos de longo prazo, o débito no rotativo precisa ser quitado no mês seguinte, o que, somado à sua natureza automática, torna a dívida difícil de ser percebida até que já esteja fora de controle.

Essa dinâmica cria uma "bola de neve" que cresce rapidamente. Sem acesso a linhas de crédito mais baratas para quitar o saldo, a dívida se perpetua e se torna cada vez mais difícil de reverter. Quanto mais tempo uma família permanece nessa situação, menores são as chances de sair dela sem uma mudança de estratégia.

## Medidas e Conselhos para Sair das Dívidas

Diante do cenário de recorde de endividamento, o governo federal estuda um programa para reduzir a inadimplência familiar, que pode incluir restrições a linhas de crédito mais caras, como o rotativo. Contudo, Magalhães ressalta que tais medidas só são eficazes se acompanhadas de orientação financeira contínua. Simplesmente restringir o acesso a crédito caro, sem ajudar a quitar o débito existente, pode apenas transferir o problema.

Para famílias já endividadas no rotativo, a recomendação é buscar o quanto antes uma linha de crédito com juros significativamente menores para quitar o saldo. Embora pareça paradoxal contrair uma nova dívida, essa troca por uma opção mais barata é a estratégia mais racional. No entanto, essa mudança não resolve o problema sozinha. É fundamental ajustar o consumo à renda disponível para evitar que o ciclo de endividamento se repita.