Reforma Tributária Exige Adaptação Urgente de Empresas no Agronegócio
Reforma tributária força adaptação no agronegócio brasileiro com novas exigências fiscais e operacionais até 2033, impactando carga tributária e logística.

A reforma tributária, em processo de implementação gradual até 2033, já impõe adaptações significativas para o setor do agronegócio brasileiro. A mudança, que visa modernizar o sistema de tributação sobre o consumo, exige que produtores rurais, cooperativas, agroindústrias e empresas logísticas se ajustem a novas regras fiscais e operacionais.
## Primeiras Exigências e Transição Complexa
Uma das primeiras determinações, já em vigor, obriga produtores rurais pessoas físicas com receita bruta anual acima de R$ 3,6 milhões a possuir inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Essa exigência, segundo especialistas, não altera a natureza da atividade rural exercida como pessoa física, mas é fundamental para a identificação no novo sistema tributário e o cumprimento das obrigações fiscais. A falta de adequação pode dificultar o aproveitamento de créditos tributários e a emissão de documentos fiscais.
Durante o período de transição, que se estenderá até 2033, as empresas terão que operar simultaneamente com o sistema tributário atual (ICMS, ISS, PIS, Cofins) e o novo modelo, composto pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Este cenário dual apresenta um desafio operacional considerável, demandando a revisão de processos internos, atualização de sistemas de gestão e adaptação de softwares.
## Impactos na Carga Tributária e Operações
A reforma tributária pode resultar em um aumento na carga tributária para uma parcela significativa das empresas do agronegócio, com estimativas apontando para elevações de até 5% na carga tributária efetiva ao final da transição. Tal aumento pode impactar margens de lucro já apertadas em diversos negócios do setor. A variação do impacto dependerá da atividade específica, do regime tributário adotado e dos produtos comercializados.
Enquanto produtos que compõem a cesta básica nacional continuarão a se beneficiar da redução de alíquotas, segmentos ligados a produtos industrializados, derivados e alguns insumos agrícolas podem sentir uma pressão tributária maior. A introdução do "split payment" em 2027, que separará automaticamente os tributos no momento do pagamento, também é vista com preocupação por especialistas, pois pode reduzir o capital de giro de empresas com alto volume financeiro.
## Custos Logísticos e Adaptação Contínua
Os efeitos da reforma tributária não se limitarão às propriedades rurais e indústrias, estendendo-se à cadeia logística. Empresas de transporte rodoviário já projetam um aumento de custos, indicando a necessidade de um planejamento financeiro e operacional cuidadoso para absorver as novas exigências e manter a competitividade no mercado.