Queda drástica em chips de memória acende alerta no mercado de tecnologia
Ações de chips de memória despencam até 50% em 3 semanas, levantando preocupações sobre o pico de gastos em IA e o retorno de investimentos, apesar de lucros corporativos robustos.

O mercado de semicondutores enfrenta uma correção acentuada, com ações de fabricantes de chips de memória registrando quedas de até 50% em um período de apenas três semanas. Murilo Freiberger, gestor da Dahlia Capital, descreveu o cenário como "tensão recente", destacando a volatilidade que contrasta com a performance recorde de outros índices, como o S&P 500. Empresas como Micron viram suas ações recuarem cerca de 25%, enquanto outras do setor chegaram a perder metade de seu valor, alimentando temores sobre o fim de um ciclo de alta.
## Mudança de Cenário na Corrida da IA
Inicialmente, a estratégia de investimento se concentrava nos chamados "vendedores de picaretas" da inteligência artificial (IA), como NVIDIA, Broadcom e TSMC, além das empresas de memória. No começo do ano, o preço da memória disparou, impulsionando gigantes como Micron, Samsung e SK Hynix. Naquela fase, grandes empresas de nuvem, como Amazon, Microsoft, Google e Oracle, enfrentavam altos custos com investimentos bilionários em infraestrutura de IA.
## Rotação de Capital e Incertezas
A dinâmica de mercado, no entanto, sofreu uma reviravolta. Recentemente, as ações de memória apresentaram forte desvalorização, enquanto as empresas que hospedam centros de dados, como a Meta (que saltou 10% em um dia), voltaram a ganhar força. Essa rotação agressiva de capital dentro do próprio setor de tecnologia levanta questionamentos sobre o retorno sobre os investimentos em IA e o prazo esperado para tal retorno.
## Pressões e Paradoxos do Mercado
O receio principal é o chamado "pico de gastos", com o mercado duvidando da velocidade com que os investimentos em IA se traduzirão em lucros. Adicionalmente, a pressão por preços menores por parte da Apple e o avanço de modelos chineses de código aberto, que são mais baratos e eficientes, adicionam complexidade ao cenário. Apesar desse pessimismo e da volatilidade, os lucros das empresas do S&P 500 continuam crescendo acima de 20% ao ano, superando as projeções iniciais de 13% a 14%. Freiberger ressaltou esse paradoxo, concluindo que, apesar da "volatilidade muito, muito alta", a performance real do mercado de tecnologia neste semestre desafiador se mostra surpreendente.