Private Equity na América Latina Cria Valor Rápido, Mas Ignora IA

Private equity na América Latina gera valor rapidamente, mas sua adoção de inteligência artificial é lenta. Relatório da FTI Consulting aponta desafios e oportunidades.

Private Equity na América Latina Cria Valor Rápido, Mas Ignora IA

Empresas de private equity na América Latina demonstram uma notável agilidade na geração de valor para fundos de investimento, superando a média global em métricas como conversão de caixa e otimização de capital de giro. No entanto, essa mesma região enfrenta um desafio significativo na adoção e implementação de inteligência artificial (IA) em suas operações.

## Desempenho Superior na Geração de Valor

Um relatório da FTI Consulting, que entrevistou 555 líderes seniores do setor de private equity, revela que a América Latina alcança 74% de taxa de geração de valor através da conversão de caixa e otimização do capital de giro. Em comparação, a média global para essas mesmas alavancas é de 53%. Samuel Aguirre, diretor executivo e head da FTI Consulting no Brasil, atribui essa eficiência ao custo de capital elevado e às altas taxas de juros na região, que incentivam a agilidade e a busca por liquidez. A atividade de fusões e aquisições (M&A) também se destaca como a segunda estratégia mais utilizada na América Latina, com 78% das respostas, atrás apenas da precificação.

## Atraso na Adoção de Inteligência Artificial

Em contrapartida ao desempenho em geração de valor, a implementação de IA na América Latina é consideravelmente mais lenta. Apenas 36% dos entrevistados adotam a tecnologia frequentemente, enquanto a média global atinge 48%. A região da Ásia-Pacífico, por exemplo, registra 48% de adoção. Aguirre aponta a escassez de especialistas e consultorias capazes de acelerar a adoção de ferramentas de IA como um dos principais motivos para essa defasagem. Embora a confiança na IA tenha diminuído em anos recentes, a percepção de sua importância estratégica para os negócios tem crescido, com expectativas de maior foco em 2027.

## Playbooks Padronizados e o Futuro da IA

O relatório também destaca a importância de "playbooks" padronizados – estratégias bem definidas desde o investimento até a saída – para fundos de alta performance. A padronização aumenta em 2,3 vezes a probabilidade de sucesso, segundo o estudo. A maturidade da IA como fator de saída para investidores caiu drasticamente, de 59% para 12% em um ano, indicando uma mudança na forma como os líderes de private equity encaram a tecnologia. Apesar dos desafios atuais, a tendência é que a inteligência artificial ganhe mais espaço e relevância nas estratégias de investimento e operação dos fundos na América Latina nos próximos anos.