Previ e Governo Lula: Tensão Aumenta na Vale
Consultoria internacional critica a Previ por falta de justificativas na troca de comando na Vale, aumentando temores de interferência política do governo Lula na mineradora.

A gestão da Vale e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protagonizam um novo embate em torno do conselho de administração da mineradora. A situação ganhou contornos mais tensos após uma consultoria internacional apontar a falta de justificativas concretas por parte da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil e maior acionista individual da Vale, para a recente troca de comando em seu conselho.
## Conselho da Vale em Foco
O centro da discórdia reside na intenção da Previ de substituir Daniel Stieler, membro do conselho indicado em 2021, por José Mauricio Pereira Coelho. Publicamente, a fundação argumenta que a mudança visa fortalecer a independência do colegiado. No entanto, a movimentação gerou apreensão nos bastidores, com receios de uma nova tentativa de interferência política do governo federal na gigante da mineração, algo que já teria ocorrido desde 2023 com outras indicações frustradas.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, chegou a solicitar uma reunião urgente com os conselheiros da Vale, mas o pedido foi recusado. A justificativa dos conselheiros foi que o interlocutor do Executivo com a empresa seria o Comex (área de comércio exterior do governo) e não o Ministério de Minas e Energia (MME), aumentando o incômodo e a percepção de ingerência.
## Análise da Consultoria Internacional
A ISS (Institutional Shareholder Services), uma das maiores consultorias de voto corporativo do mundo, emitiu um parecer sobre a assembleia extraordinária da Vale marcada para 22 de julho. A empresa recomendou aos investidores institucionais que votem contra a maior parte das propostas apresentadas pela Previ. A consultoria destacou que, em nenhum dos casos analisados, a Previ apresentou dados, indicadores ou fatos concretos que sustentassem a necessidade da mudança de comando.
A ISS sugeriu apoio à candidata indicada pela administração da Vale, Ieda Gomes Yell, para a presidência do conselho, e abstenção para o candidato da Previ, José Mauricio Pereira Coelho. Para a vice-presidência, a recomendação foi de apoio a Marcelo Gasparino da Silva. Dois conselheiros não independentes se abstiveram, enquanto Marcio Antonio Chiumento, que é conselheiro da Vale e presidente da Previ, votou a favor da demissão de Stieler e da chapa indicada pela Previ.
## Histórico de Tensão e Próximos Passos
O jornal britânico Financial Times já havia noticiado que o mercado percebe o risco de o governo federal utilizar a Previ como instrumento de influência sobre a mineradora. Esta disputa não é inédita; desde o início do governo Lula, tem havido tentativas de ampliar a influência do Planalto no conselho da Vale, incluindo indicações anteriores para a presidência da empresa que não foram bem-sucedidas. A Previ detém duas cadeiras no conselho da Vale, e a atual polêmica reflete a complexa relação entre acionistas, gestão corporativa e o poder público no controle de uma das maiores empresas de mineração do mundo.