Petróleo dispara após EUA atacarem Irã e Trump decretar fim de cessar-fogo

Preços do petróleo disparam após EUA atacarem o Irã e Trump declarar fim de cessar-fogo. Bolsas globais caem com escalada da tensão no Oriente Médio.

Petróleo dispara após EUA atacarem Irã e Trump decretar fim de cessar-fogo

Os preços do petróleo registraram um salto expressivo, com o Brent subindo mais de 6% e o WTI valorizando-se em percentual similar, superando os US$ 78 e US$ 74 por barril, respectivamente. A escalada nos valores do petróleo ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que o cessar-fogo provisório com o Irã havia chegado ao fim. Essa decisão, segundo Trump, foi uma resposta aos ataques iranianos contra embarcações comerciais e militares na região, o que ele classificou como "jogadores sujos" e "câncer".

As declarações de Trump, feitas durante uma coletiva de imprensa e antes da cúpula da Otan na Turquia, indicam um colapso do acordo preliminar firmado com Teerã. Ele afirmou que as negociações com o Irã são "uma perda de tempo" e que os EUA "vão fazer o nosso trabalho". Em retaliação aos bombardeios americanos contra território iraniano, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã alegou ter lançado ataques contra alvos militares dos EUA no Bahrein e no Kuwait. O ministério das Relações Exteriores do Irã, por sua vez, atribuiu aos Estados Unidos a responsabilidade pela escalada das hostilidades, acusando Washington de "quebrar acordos" e tornar ineficazes partes fundamentais do acordo para encerrar a guerra.

O impacto dessas tensões geopolíticas se estendeu aos mercados financeiros globais. Bolsas na Ásia, Europa e futuros nos Estados Unidos registraram quedas acentuadas, com exceção de Hong Kong. Tóquio (-2,11%), Shenzhen (-1,87%), Seul (-5,35%), Frankfurt (-2,37%), Paris (-2,21%) e Londres (-1,64%) apresentaram perdas significativas. Os futuros do S&P 500, Nasdaq e Dow Jones também operavam em baixa.

A retomada das hostilidades no Oriente Médio, uma das regiões produtoras de energia mais importantes do mundo, levanta preocupações sobre a segurança do Estreito de Ormuz, corredor estratégico fundamental para o transporte de petróleo. Mesmo durante o período de trégua, as tensões em torno dessa via marítima já eram elevadas, com o Irã reivindicando controle sobre a hidrovia. A volta da instabilidade pode afetar o fluxo de navios e aumentar os custos de navegação e produção.

Antes dos ataques mais recentes, o Departamento do Tesouro dos EUA já havia revogado uma isenção de sanções que permitia ao Irã vender petróleo, revertendo um ponto crucial do acordo provisório. Essa medida, combinada com a nova escalada de conflitos, volta a cercar de incertezas a oferta de petróleo iraniano no mercado internacional, que vinha se recuperando nas últimas semanas.

Analistas de commodities apontam que a retomada das tensões e a possibilidade de redução nas exportações de petróleo da região são os principais fatores por trás da sustentação dos preços. A situação ameaça desencadear nova turbulência nos mercados globais de energia, que ainda se recuperavam de tensões anteriores.