Nobel de Economia: Tarifas de Trump contra Brasil são ineficazes

Nobel de Economia Paul Krugman diz que tarifas de Trump contra o Brasil não funcionarão e podem fortalecer Lula. Ele elogia o Pix e questiona a política comercial dos EUA.

Nobel de Economia: Tarifas de Trump contra Brasil são ineficazes

O economista e vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2008, Paul Krugman, analisou as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros, afirmando que elas "não vão funcionar" e, paradoxalmente, podem fortalecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

## Análise das Tarifas e o Pix

Em um artigo publicado nesta segunda-feira (20/7), Krugman criticou a medida, que prevê um aumento de 25% sobre produtos brasileiros e tem previsão de entrada em vigor nesta quarta-feira (22/07). Segundo o Nobel, a tentativa de Trump de "punir o Brasil" por suas "conquistas monetárias", especialmente o sucesso do sistema de pagamentos instantâneos Pix, não terá êxito. Krugman destacou que o Brasil processou seu ex-presidente, Jair Bolsonaro, por incitar uma revolta após uma eleição perdida, contrastando com a postura dos EUA e sugerindo que a ação de Trump pode ser uma forma de retaliação democrática.

Krugman também elogiou o Pix, que já havia classificado como "dinheiro do futuro" em um artigo anterior. Ele questiona a justificativa para impor tarifas a um país que oferece um meio de pagamento mais eficiente aos seus cidadãos, comparando a situação com a concorrência entre empresas privadas. O economista pontua que, embora o governo Trump possa temer o impacto do Pix na hegemonia do dólar, o Brasil é "pequeno demais para provocar impacto no sistema global de pagamentos". No entanto, ele vislumbra um desafio maior ao dólar caso o euro digital seja implementado com sucesso pelo Banco Central Europeu em 2029.

## Impacto no Brasil e Reação de Lula

Economicamente, o alcance das tarifas deve ser limitado, segundo Krugman, apesar das preocupações americanas com itens como café, suco de laranja e carne bovina. A Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), por outro lado, avalia que as novas tarifas podem afetar até 70% das exportações do estado para os Estados Unidos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ser questionado sobre o assunto, brincou e atribuiu a resposta a "Stuckinha", apelido de seu fotógrafo oficial, Ricardo Stuckert. Em declarações anteriores, Lula afirmou que usaria a "arma da palavra" e que só comentaria o tarifaço após novas manifestações de Trump, indicando uma estratégia de "guerra de narrativa" para defender a posição brasileira. Integrantes do Planalto acreditam que negociações mais amplas com Washington só devem avançar após as eleições de outubro, com os EUA aguardando a definição do cenário político brasileiro.

Monica de Bolle, economista brasileira citada por Krugman, também avalia que o impacto das tarifas deve ser restrito, mas concorda que a "evidente insensatez" das medidas não as impedirá de ocorrer. Krugman conclui que a administração Trump "declarou guerra ao futuro" e raramente admite seus fracassos.