Nobel de Economia: Menos horas de trabalho podem elevar produtividade

Nobel de Economia defende que menos horas de trabalho podem aumentar a produtividade e não geram inflação. IA também é vista como ferramenta, não devastadora de empregos.

Nobel de Economia: Menos horas de trabalho podem elevar produtividade

A produtividade no mercado de trabalho tende a aumentar com a redução da carga horária, uma tendência provável para a qual os países caminham. A afirmação é de Christopher Pissarides, economista britânico vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2010. Em entrevista concedida no Rio de Janeiro, Pissarides destacou que a diminuição das horas de trabalho não deve gerar um impacto inflacionário significativo, contrariando algumas preocupações econômicas.

O acadêmico, que também é professor na London School of Economics (LSE) e na Universidade de Chipre, participou da 25ª Conferência Anual da Saet (Sociedade para o Avanço da Teoria Econômica), realizada no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa). Sua visita coincide com discussões no Brasil sobre o fim da escala de trabalho de seis dias por semana.

## Redução da Carga Horária e IA

Pissarides explicou que a flexibilidade na implementação da redução da carga horária é crucial, permitindo que ela se adapte às especificidades de cada setor econômico. Ele também abordou o impacto da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho, afastando o temor de uma "devastação completa de empregos". Segundo o Nobel, a IA pode, na verdade, funcionar como uma ferramenta para aumentar a produtividade da mão de obra, permitindo jornadas menores com melhor remuneração e mais tempo de lazer.

No entanto, Pissarides alertou que os cargos de entrada e aqueles que envolvem tarefas mais simples, como as realizadas por grandes modelos de linguagem tipo ChatGPT, já estão sendo afetados pela automação. Ele estima que cerca de 30% dessas vagas já são substituídas, e essa tendência deve crescer. Por outro lado, cargos de nível sênior podem se beneficiar da IA como uma ferramenta auxiliar, aumentando sua eficiência.

## Flexibilidade e Escolhas Sociais

Ao comentar sobre a discussão no Brasil acerca da redução da jornada de trabalho, o economista ressaltou que a decisão sobre a duração da semana de trabalho é uma questão de escolha social e política, que evoluiu historicamente com a queda das horas trabalhadas ao longo das décadas. Ele mencionou o debate europeu sobre a transição para a semana de quatro dias, indicando que a preferência por mais tempo de lazer é crescente.

Contudo, Pissarides enfatizou a necessidade de cautela para não tornar as regras excessivamente rígidas. A remuneração e a adaptação dos diferentes setores são fatores importantes a serem considerados. A flexibilidade na negociação sindical e a capacidade de ajustar o número de dias trabalhados, seja cinco, seis ou quatro, são essenciais para que a redução da carga horária seja benéfica sem gerar rigidez excessiva no mercado.