Multimercados Superam CDI com Ações de Tecnologia e IA em 2026
Cinco fundos multimercado superaram o CDI no primeiro semestre de 2026, com estratégias focadas em ações de tecnologia, IA e ativos internacionais. Adam Macro lidera com 454% do CDI.

## Fundos Campeões em Cenário Desafiador
O primeiro semestre de 2026 apresentou um ambiente complexo para os fundos multimercado, marcado por significativas oscilações nos cenários econômicos internacional e doméstico. Essas mudanças impactaram as estratégias de grande parte dos gestores, dificultando a obtenção de retornos superiores ao referencial da categoria. Contudo, um seleto grupo de fundos conseguiu se destacar, entregando ganhos expressivos que, em alguns casos, alcançaram até 450% do CDI.
Um levantamento detalhado, com base em dados da Economatica e abrangendo 70 fundos multimercado com estratégia macro, revelou que apenas cinco fundos apresentaram resultados positivos acima do CDI no período de janeiro a junho deste ano. Entre os nomes de peso do mercado financeiro, o fundo Verde, gerido por Luís Stuhlberger, foi um dos poucos a manter-se acima do benchmark. Uma característica comum entre os fundos com bom desempenho é a expressiva alocação em ativos internacionais, com destaque para ações de empresas de tecnologia nos Estados Unidos.
## Estratégias Vencedoras: IA, Dólar e Commodities
O fundo Adam Macro, da Adam Capital, liderou os resultados, demonstrando otimismo em relação à economia norte-americana e ao avanço da inteligência artificial (IA). A estratégia envolveu investimentos em ações de tecnologia americanas, apostas na valorização do dólar, na queda da bolsa brasileira e do euro, além de um aumento nas taxas de juros locais. Essa abordagem diversificada e com foco em tendências globais tem sido fundamental para seu sucesso.
Outro fundo que chamou a atenção foi o Clave Alpha, gerido pelo BTG Asset. Suas posições incluem ações brasileiras nos setores elétrico e bancário, com apostas na redução dos juros de curto prazo no Brasil. No exterior, o fundo ajustou suas posições em empresas de memória, aumentou investimentos na Nvidia e apostou na desvalorização do dólar e na valorização de moedas como o peso chileno e o iene.
O fundo Parcitas Hedge, da Parcitas Investimentos, também se destacou com um ganho acumulado de 10,44% até junho, equivalente a 152,49% do CDI. Sua estratégia se diferencia por não se limitar a taxas de juros ou câmbio, mas por atuar em diversas classes de ativos, tanto no Brasil quanto no exterior. A carteira se beneficiou de ganhos com juros e, mais recentemente, com a alta das ações de tecnologia americanas, que representam cerca de um terço do portfólio. A gestora vê a IA como uma tendência geracional e busca identificar os principais vencedores nesse mercado em expansão.
## Diversificação e Visão de Longo Prazo
O fundo Verde, apesar de algumas perdas com ações brasileiras em junho, reforçou seus investimentos na bolsa local através de opções e manteve sua exposição em renda variável global. A gestão tem se concentrado em juros reais nos Estados Unidos, ouro, prata e crédito no Brasil. A estratégia de diversificação também se estendeu a outros fundos, como o Safra Global Equities, que embora com números menos expressivos, apresentou um retorno de 9,90% no ano, o equivalente a 144,67% do CDI.
A performance positiva de alguns fundos também foi impulsionada por ações de commodities, especialmente petróleo e gás. A Petrobras foi vista como um ativo de qualidade com bom potencial de dividendos. Além disso, apostas em matérias-primas ligadas à IA, como urânio, alumínio e cobre, também contribuíram para os resultados, demonstrando uma estratégia que combina tendências tecnológicas com setores tradicionais e voláteis.