Morgan Stanley corta recomendação e ações da Vale despencam

Morgan Stanley reduz recomendação da Vale (VALE3) e ações caem mais de 4% após projeções mais pessimistas para minério de ferro e aumento de custos operacionais.

Morgan Stanley corta recomendação e ações da Vale despencam

As ações da mineradora Vale (VALE3) registraram uma queda de mais de 4% no pregão desta quarta-feira (8), após o Morgan Stanley revisar para baixo suas estimativas e cortar a recomendação para os papéis. A decisão do banco de investimento reflete um cenário global mais desafiador para o mercado de minério de ferro.

Segundo a análise do Morgan Stanley, a menor produção mundial de aço, especialmente na China, deve impactar negativamente os fundamentos da commodity nos próximos anos. O banco observou que a produção chinesa ficou aquém das projeções anteriores, o que contribui para um aumento dos excedentes de oferta de minério de ferro comercializado via marítima. As projeções indicam que esses superávits podem superar em até 21% as expectativas anteriores.

Em resposta a essas perspectivas, a equipe de commodities do Morgan Stanley ajustou para baixo suas previsões de preço para o minério de ferro entre 2026 e 2028. O minério de ferro foi classificado como a commodity menos preferida pelo time de análise do banco, dentro do escopo do relatório.

Além das pressões de mercado, o Morgan Stanley também apontou para um aumento nos custos operacionais da Vale. A nova estimativa para o custo caixa C1 do minério de ferro em 2026 foi elevada para US$ 23 por tonelada, um aumento de 5% em relação ao modelo anterior e acima da própria orientação da companhia (US$ 20 a US$ 21,5 por tonelada). Para 2027, a projeção de custo também foi aumentada em 7%, para US$ 19,5 por tonelada.

Essas mudanças nas premissas levaram o Morgan Stanley a reduzir suas projeções financeiras para a mineradora. As estimativas para o segundo trimestre de 2026 e para o ano de 2026 foram reduzidas em 9% e 7%, respectivamente, em relação ao consenso de mercado para o EBITDA. Quanto ao lucro por ação (EPS), as projeções ficaram 13% e 6% abaixo das expectativas consensuais.

O banco destacou que a divisão de Metais Básicos da Vale continua apresentando evolução positiva, mas avalia que essa melhora já está precificada nas ações. Atualmente, os papéis da Vale negociam a 4,2 vezes EV/EBITDA e 6,6 vezes preço/lucro (P/L) para 2027, números próximos às médias históricas de dez anos (4,1 vezes e 7 vezes, respectivamente). O Morgan Stanley estabeleceu um novo preço-alvo de US$ 16,50 por ação, indicando um potencial de valorização de cerca de 11%.