Moody's Rebaixa Rating da Cosan e Mantém Perspectiva Negativa
Moody's rebaixa rating da Cosan para B1 com perspectiva negativa, citando impactos da reestruturação da Raízen e redução de dividendos.

A agência de classificação de risco Moody's rebaixou o rating corporativo da Cosan de Ba3 para B1, além de reduzir a nota de seus títulos seniores. A perspectiva para ambas as avaliações foi alterada de "em revisão para possível rebaixamento" para "negativa", encerrando uma análise iniciada em fevereiro. A decisão da Moody's é influenciada pelos impactos da reestruturação da Raízen, subsidiária da Cosan, e a consequente redução nos dividendos recebidos pela holding. Segundo a agência, o rebaixamento reflete a "baixa cobertura de juros no nível da holding" e a dependência da Cosan na venda de ativos para reduzir seu endividamento.
## Desafios da Holding e Esforços de Desalavancagem
A Moody's destacou que a Cosan apresenta menor diversificação de portfólio, o que afeta a previsibilidade e o volume de seus dividendos futuros. A reestruturação extrajudicial da Raízen reduziu significativamente a geração de dividendos para a Cosan, embora a agência não espere impactos adicionais em obrigações financeiras ou passivos entre as companhias. A perspectiva negativa sinaliza o risco de que as medidas de desalavancagem da Cosan não sejam suficientes para reduzir a dívida e as despesas financeiras de forma compatível com a geração de dividendos das empresas investidas. A agência projeta que o fluxo de caixa livre da holding permaneça negativo nos próximos 12 a 18 meses, sob pressão de juros elevados e menor recebimento de dividendos.
## Ações Recentes e Condições para Melhora
Em contrapartida, a Moody's reconheceu os esforços recentes da Cosan para otimizar sua estrutura de capital. Entre as iniciativas estão a oferta secundária de ações da Compass, que gerou R$ 2,3 bilhões, e a venda de parte da carteira de terras da Radar, com dividendos atribuídos à companhia de R$ 586 milhões. Além disso, a Cosan utilizou R$ 9,3 bilhões de uma capitalização realizada no fim de 2025 para antecipar dívidas. Com essas operações, a dívida da holding diminuiu de R$ 21,9 bilhões (fim de 2025) para aproximadamente R$ 12,4 bilhões (junho de 2026). A liquidez da Cosan é considerada adequada, com caixa de R$ 7,7 bilhões em março de 2026, e a antecipação de dívidas reduziu riscos de refinanciamento, sem vencimentos relevantes até 2029. Para uma eventual melhora no rating, a Moody's exige redução significativa da dívida, melhoria sustentável na cobertura de juros e manutenção de liquidez. Um novo rebaixamento pode ocorrer se a redução do endividamento falhar ou se houver deterioração da liquidez e geração de dividendos das investidas.