Mídia internacional defende Pix e rebate críticas de Trump

Mídia internacional como The Economist e Wall Street Journal elogiam o Pix brasileiro, defendendo o sistema contra críticas de Donald Trump e destacando seu papel na inclusão financeira.

Mídia internacional defende Pix e rebate críticas de Trump

O sistema de pagamentos instantâneos Pix tem recebido destaque e defesa em publicações internacionais de renome, como a revista britânica The Economist e o jornal norte-americano The Wall Street Journal. Ambas as reportagens abordam o sucesso do Pix, desenvolvido pelo Banco Central do Brasil, e refutam as críticas lançadas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

## Sucesso e Inclusão Financeira do Pix

A The Economist questiona as premissas de Trump, que classificava o Pix como um instrumento protecionista que prejudicaria empresas americanas como Visa e Mastercard. A publicação britânica ressalta que qualquer instituição financeira licenciada pode se conectar à rede do Pix, garantindo facilidade de acesso para os consumidores. Embora reconheça que o controle centralizado do sistema pelo Banco Central possa levantar "questões legítimas sobre a concentração de tanto controle sobre um sistema de pagamentos e os dados financeiros que ele gera em uma única instituição", a revista argumenta que a motivação principal para a criação do Pix foi a bancarização de populações de baixa renda, que se beneficiam da ausência de taxas.

O sistema, ao tornar as transferências gratuitas e instantâneas, incentiva os usuários a manterem seus fundos em contas bancárias, em vez de sacá-los. Essa característica é vista como um motor para a inclusão financeira em um país com alta desigualdade social. O Wall Street Journal, por sua vez, aponta que sistemas privados, incluindo alguns americanos, enfrentam desafios de segurança e custos operacionais, como prevenção a fraudes e retorno a acionistas, o que dificulta a concorrência com o Pix.

## Críticas e Tarifas Americanas

O jornal americano lembra que a Seção 301 da lei comercial dos EUA permite a imposição de tarifas, mas destaca que nunca antes um sistema de pagamento doméstico de outro país havia sido o alvo explícito de tal medida. A reportagem sublinha o reconhecimento internacional do Pix, com o Banco Mundial e o FMI (Fundo Monetário Internacional) citando o sistema brasileiro como um modelo de inclusão financeira, inspirando outros países em seus próprios projetos.

A proposta de tarifas de 25% foi apresentada em 1º de junho de 2026, como uma resposta do governo americano a práticas comerciais consideradas injustas pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos). O documento do USTR lista o Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal como temas sob investigação, concluindo que o Brasil adota políticas que favorecem o Pix e criam desvantagem para empresas americanas do setor de pagamentos eletrônicos.

Uma audiência pública foi realizada em 6 e 7 de julho para debater a proposta de tarifas. O governo brasileiro optou por não enviar representantes para discursar, com a Embaixada do Brasil em Washington participando como observadora. O senador Flávio Bolsonaro esteve presente no evento.