Lula cede em tarifas dos EUA, mas vetou concessões em Pix e etanol

Governo Lula negociou com EUA para reduzir 'tarifaço', oferecendo mercado, mas vetou concessões em Pix e etanol, defendendo soberania nacional.

Lula cede em tarifas dos EUA, mas vetou concessões em Pix e etanol

O governo brasileiro, liderado pelo presidente Lula, intensificou negociações com os Estados Unidos desde junho para tentar mitigar os efeitos da nova tarifa de 25% imposta sobre produtos brasileiros. Em troca de aberturas de mercado para a economia americana, o Brasil ofereceu concessões em diversos setores, mas manteve uma linha de defesa firme em temas considerados inegociáveis, como o sistema de pagamentos instantâneos Pix e o setor de etanol.

A proposta da nova tarifa foi anunciada em 1º de junho e confirmada pelo governo Trump. Desde então, o Brasil buscou ampliar a lista de exceções para produtos nacionais. As negociações entre os dois países se estendem desde o ano passado, com mais de 30 reuniões realizadas entre autoridades brasileiras e americanas, de acordo com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Um encontro chave ocorreu em outubro do ano passado, na Malásia, entre Lula e Trump.

## Pontos de Atrito e Negociação

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) listou seis áreas de críticas ao Brasil, apontando práticas que levariam a uma concorrência desleal. Entre elas estão comércio digital, serviços de pagamento, acordos tarifários, desmatamento, etanol, propriedade intelectual e combate à corrupção. Uma das principais queixas americanas é em relação ao Pix. Segundo o USTR, o Banco Central do Brasil favoreceria o sistema em detrimento de empresas de serviços de pagamento dos EUA, como operadoras de cartão de crédito, através da limitação de tarifas. A defesa do Pix, sob o argumento de soberania nacional, tornou-se uma bandeira importante para o governo Lula.

Outro ponto de discórdia é o mercado de etanol. O USTR argumenta que os EUA enfrentam tarifas mais altas sobre o etanol impostas pelo Brasil, classificando o comércio como "desequilibrado". Essa situação teria sido agravada pela decisão brasileira de abandonar, em 2017, uma política de reciprocidade tarifária. O Ministro da Indústria, Márcio Elias Rosa, afirmou que o etanol não esteve na mesa de negociações, por determinação de Lula, que considera o açúcar brasileiro prejudicado pelas tarifas americanas.

## Concessões e Vetos

O Brasil propôs tratar conjuntamente os mercados de etanol e açúcar, mas os EUA não responderam a essa oferta. Em relação ao açúcar, as tarifas americanas acima da cota de 150 mil toneladas chegam a cerca de 100%. O governo brasileiro também se recusou a fazer concessões em relação ao Pix, considerado um avanço em termos de inclusão financeira e soberania digital.

Anteriormente, o governo Trump já havia retirado tarifas de 10% sobre produtos como carne bovina, tomate, café e banana, e posteriormente removeu outra sobretaxa de 40% sobre produtos agrícolas. No entanto, a nova rodada de tarifas impõe desafios significativos para a indústria brasileira, que busca alternativas para manter sua competitividade no mercado internacional.