Juros Futuros Recuam com IPCA Abaixo do Previsto e Dólar em Queda
Inflação de junho abaixo do esperado (0,16%) e queda do dólar derrubam juros futuros. Mercado aposta em corte da Selic em agosto. Taxas de CDBs, LCIs e LCAs na XP refletem cenário.

O mercado financeiro brasileiro reage positivamente à divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, que apresentou alta de 0,16%, um índice inferior às expectativas do mercado. Essa desaceleração da inflação, combinada com a queda do dólar frente ao real e o recuo nos rendimentos dos Treasuries (títulos do Tesouro americano), está impulsionando uma queda generalizada nos juros futuros em toda a curva nesta sexta-feira, dia 10.
O IPCA acumulado em 12 meses até junho atingiu 4,64%, uma redução em relação aos 4,72% registrados até maio. Este resultado reforça as projeções de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central possa anunciar um corte de 25 pontos-base na taxa Selic já em agosto, levando-a para 14% ao ano. Essa perspectiva de afrouxamento monetário tende a tornar os investimentos em renda fixa mais atrativos.
As taxas dos depósitos interfinanceiros (DI) já refletem essa mudança de cenário. Segundo informações do mercado, o DI para janeiro de 2027 recuou para 13,910%, enquanto o DI para janeiro de 2029 cedeu para 14,045% e o para janeiro de 2031 caiu para 14,225%. Esses movimentos indicam uma maior confiança do mercado na trajetória de queda da inflação e, consequentemente, da taxa básica de juros.
Na plataforma XP, as oportunidades em renda fixa bancária acompanham essa tendência. Para títulos com vencimento superior a 12 meses, os CDBs prefixados oferecem taxas de até 14,400% ao ano. Títulos indexados à inflação (IPCA+) pagam até IPCA + 8,540%, e os pós-fixados remuneram até 106% do CDI. As LCAs pós-fixadas chegam a 85,5% do CDI e as LCIs prefixadas a 12,000% ao ano, com as pós-fixadas alcançando até 87% do CDI.
Essa conjuntura favorável, impulsionada por fatores internos e externos, como a descompressão dos prêmios após altas recentes e um apetite por risco no exterior, sugere um ambiente de maior liquidez e potencial de valorização para ativos de renda fixa. No entanto, a ponta longa da curva de juros demonstra cautela com riscos de médio e longo prazo, mantendo-se mais estável.
O cenário econômico é influenciado pela queda dos juros americanos, pelo recuo do preço do petróleo Brent e pela valorização do real frente ao dólar, fatores que, em conjunto, aliviam a pressão sobre as taxas de juros domésticas e favorecem os ativos de risco no Brasil.