Juros Futuros Fecham em Alta Após Dia Volátil no Mercado
Taxas de juros futuras no Brasil fecham em alta após dia volátil, impulsionadas por tensões no Oriente Médio e flutuações nos Treasuries americanos. Projeções de inflação e Selic são revisadas.

## Mercado Financeiro em Movimento
As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram a sessão desta segunda-feira com leves altas nos vencimentos a partir de janeiro de 2028. O dia foi marcado por volatilidade, com as taxas alternando entre ganhos e perdas ao longo do pregão. Essa movimentação reflete a cautela dos investidores diante de um cenário internacional nebuloso, especialmente com a intensificação dos conflitos no Oriente Médio. Paralelamente, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) apresentaram altas mais firmes.
No fechamento, a taxa do DI com vencimento em janeiro de 2027 registrou uma leve baixa de 5 pontos-base, atingindo 13,915%. Já o contrato para janeiro de 2028 marcou 14,12%, com uma elevação de 2 pontos-base. Na ponta mais longa da curva, o DI para janeiro de 2035 encerrou o dia em 14,62%, com um avanço de 3 pontos-base em relação ao ajuste anterior.
## Cenário Internacional e Impactos Locais
A ausência de indicadores econômicos relevantes no Brasil levou os agentes do mercado financeiro a voltarem suas atenções para o exterior. A tensão geopolítica aumentou com a Guarda Revolucionária do Irã anunciando ataques a alvos militares dos Estados Unidos no Oriente Médio, em resposta a bombardeios americanos contra cidades iranianas. O preço do petróleo Brent chegou a ultrapassar os US$ 90 o barril, mas apresentou alguma acomodação antes de voltar a subir, diante das promessas de retaliação por parte dos EUA.
Essa instabilidade internacional se refletiu na volatilidade das taxas dos DIs. O contrato de janeiro de 2028, por exemplo, oscilou significativamente durante o dia, atingindo uma máxima de 14,155% logo após a abertura e uma mínima de 14,005% em determinado momento, antes de fechar em alta. A expectativa é que a evolução do conflito e o comportamento do preço do petróleo influenciem as próximas decisões do Banco Central.
## Projeções Econômicas e Futuro da Selic
Em relação às projeções econômicas internas, o boletim Focus indicou uma ligeira redução na expectativa de inflação para o ano corrente, de 5,16% para 5,15%. As projeções para o ano seguinte permaneceram em 4,20%. Para 2026, o IPCA projetado recuou para 5,15%, marcando a terceira semana consecutiva de queda nas estimativas.
A taxa básica de juros, a Selic, projetada para o fim de 2026, manteve-se em 14,00%, o que sugere um corte adicional de 25 pontos-base ainda neste ano. Para o encerramento de 2027, a Selic esperada segue em 12,00%. A atual taxa básica está em 14,25% ao ano. A maioria dos analistas de mercado aposta em um corte de 25 pontos-base da Selic em agosto, mas há incertezas sobre a decisão em setembro, que poderá ser influenciada pela conjuntura internacional.