Juros Futuros: Curva Inclina e Agentes Financeiros Reagem a Dados Fiscais
Juros futuros fecham perto da estabilidade, mas curva de longo prazo inclina em julho, refletindo preocupações fiscais e decisões do Banco Central.

O mercado de juros futuros no Brasil encerrou o pregão em patamares próximos à estabilidade, mas com uma inclinação notável na curva de longo prazo ao longo do mês. A sessão foi marcada por baixa liquidez e instabilidade técnica na B3, o que gerou movimentos menos intuitivos para os agentes financeiros, mesmo diante de um cenário externo adverso com alta nos retornos dos Treasuries e do petróleo, e ausência de dados econômicos brasileiros de grande impacto.
## Movimentações e Inversões na Curva
Apesar de uma leve alta inicial nos vértices médios e longos, estes registraram mínima intradia no final da sessão, revertendo o sinal para queda. A taxa do DI para janeiro de 2027, por exemplo, fechou em 13,81%, uma queda marginal em relação ao ajuste anterior de 13,818%. Já o DI para janeiro de 2029 oscilou entre 14,123% e 14,13%, e o contrato para janeiro de 2031 apresentou leve recuo para 14,39%, partindo de 14,41%. Na semana que antecede a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic, a ponta curta da curva já operava em baixa.
## Análises e Cenário Fiscal
Economistas apontam que a inclinação da curva de juros no mês reflete a percepção de risco fiscal no país e a política monetária do Banco Central. Marcelo Fonseca, economista-chefe do grupo CVPAR, avalia que, embora o cenário projete mais dois cortes de 0,25 ponto na Selic, o momento não seria o ideal para afrouxar a política monetária devido a pressões fiscais e inflação resiliente. Ele critica a disposição do BC em tomar riscos considerados prudentes, citando uma política fiscal "fora de controle" e projeções inflacionárias "extremamente benignas".
O cenário fiscal foi reforçado pelo resultado primário do setor público consolidado em junho, que apresentou um déficit de R$ 55,313 bilhões, superior às expectativas. Fonseca destaca que o déficit nominal atingiu 10% do PIB e a dívida pública cresceu mais de 3 pontos percentuais no ano, indicando a incerteza eleitoral como fator de pressão. Essa conjuntura, aliada à perspectiva de continuidade no ciclo de baixa da Selic, explica a inclinação observada na curva a termo no mês de julho.
## Influência Externa e Perspectivas
A dinâmica observada no Brasil encontra paralelos nos mercados internacionais, com os Treasuries americanos apresentando alta. Os juros de 30 anos dos EUA atingiram o nível mais alto desde junho de 2007, e os de 10 anos se aproximam de picos de 19 anos. Essa movimentação é atribuída à divergência no Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve, que manteve os juros, mas com votos divergentes em favor de elevação. O mercado americano tem tido dificuldade em assimilar a comunicação do Fomc, gerando volatilidade.
Em resumo, a curva de juros futuros no Brasil, apesar de fechar perto da estabilidade em alguns vencimentos, exibiu uma inclinação ascendente em seu longo prazo no mês. Esse movimento é impulsionado por uma combinação de fatores domésticos, como dados fiscais preocupantes e a política monetária do Banco Central, e influências externas, refletindo a incerteza global e as decisões de política monetária em outros grandes mercados.