Juros do Rotativo Disparam com Selic Alta e Atingem Nível Recorde

Juros do rotativo do cartão de crédito atingem 436% ao ano com Selic alta. Inadimplência no Brasil bate recorde de 4,7% em maio. Conselheira do Corecon-SP defende limite para juros.

Juros do Rotativo Disparam com Selic Alta e Atingem Nível Recorde

A taxa média de inadimplência no Brasil alcançou 4,7% em maio, marcando o maior patamar registrado desde o início da série histórica em 2011, segundo dados recentes do Banco Central. Especialistas apontam uma combinação preocupante de fatores para essa escalada: juros elevados, endividamento em ascensão e o crescimento das apostas online.

Carla Beni, conselheira do Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo (Corecon-SP), analisou o cenário econômico e destacou o impacto direto da taxa Selic, que se mantém em dois dígitos desde fevereiro de 2022. Essa política monetária, segundo Beni, pressiona significativamente os juros cobrados no crédito rotativo do cartão de crédito, que podem chegar a impressionantes 436% ao ano. Essa modalidade, conhecida por ser a mais cara e de fácil acesso, torna-se um fardo pesado para o consumidor endividado.

## Impacto no Endividamento e Mercado de Trabalho

Apesar da inadimplência recorde, o mercado de trabalho brasileiro demonstra resiliência, com o Caged registrando um salário médio inicial de aproximadamente R$ 2.400 para trabalhadores com carteira assinada. Carla Beni ressalta que a força do emprego tem evitado um quadro ainda mais crítico. "Você já imaginou se a gente tivesse esse processo de inadimplência todo com uma queda maior ainda nos postos de trabalho?", questionou, evidenciando o papel crucial da geração de empregos na atenuação da crise.

## Ausência de Teto para Juros e Renegociação de Dívidas

A conselheira também abordou a histórica ausência de um limite legal para a cobrança de juros no Brasil. Ela explicou que um teto de 12% reais ao ano para o sistema financeiro, previsto na Constituição de 1988, foi revogado em 2003. "O céu é o limite", resumiu Beni, embora exista uma regra atual que impede a dívida de dobrar o valor original. Ela defende a necessidade de se discutir a imposição de um limite para a cobrança de juros.

Sobre os programas de renegociação de dívidas, Beni avaliou que o Desenrola 1.0 teve uma adesão abaixo do esperado, possivelmente devido a dificuldades de uso e à exigência de um curso de educação financeira. Em contrapartida, o Desenrola 2.0, que permite negociação direta com as instituições financeiras, tem apresentado maior adesão, facilitando o processo para os consumidores.

O programa inicial do Desenrola tem duração de 90 dias, sem previsão de prorrogação até o momento. A situação econômica atual exige atenção redobrada dos consumidores e do governo para mitigar os efeitos da inadimplência e do alto custo do crédito.