Japão descobre reservas de terras raras a 6 mil metros no Pacífico
Japão encontra terras raras a 6 mil metros de profundidade no Pacífico. Descoberta visa reduzir dependência da China e fortalecer a indústria nacional de tecnologia e defesa.

O Japão realizou com sucesso um teste de perfuração em águas profundas, recuperando cerca de 50 toneladas de lama a uma profundidade de 6.000 metros, próximo à ilha de Minamitorishima. A análise do material confirmou a presença de elementos de terras raras, como ítrio, gadolínio, disprósio e neodímio, componentes essenciais para a fabricação de semicondutores, veículos elétricos e equipamentos de defesa. Esta descoberta representa um passo significativo na estratégia japonesa para diminuir a dependência de cadeias de suprimentos globais, atualmente dominadas pela China.
## Avanço na busca por autonomia
Os elementos encontrados possuem aplicações críticas: o ítrio é vital para semicondutores e sistemas de defesa; o gadolínio, para controle de reatores nucleares; o disprósio, para componentes de veículos elétricos; e o neodímio, para ímãs de alta performance. As organizações envolvidas no projeto, incluindo o governo japonês e a Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha-Terrestre, descartaram a presença de substâncias perigosas ou radioativas. Com base nos resultados positivos, uma operação em maior escala está planejada para fevereiro, visando testar toda a cadeia produtiva, desde a extração até o refino em escala industrial.
## Redução da dependência chinesa
A iniciativa japonesa faz parte de uma estratégia de longo prazo para aumentar a resiliência de suas cadeias de suprimentos. A China detém cerca de 70% da produção mundial de terras raras e quase 90% da capacidade de refino, um domínio que já foi usado como ferramenta geopolítica em momentos de tensão comercial. A imposição de controles de exportação pela China em 2025 elevou drasticamente os preços de elementos como disprósio e térbio, afetando empresas globais e gerando alertas sobre o risco de interrupção de produção em setores como automotivo, eletrônico e de defesa. O Japão, que já sentiu o impacto do domínio chinês em 2010, tem buscado diversificar fornecedores e criar estoques estratégicos. As estimativas indicam que a Zona Econômica Exclusiva do Japão pode conter até 16 milhões de toneladas de terras raras, posicionando o país como um potencial novo player neste mercado estratégico. Uma decisão sobre a viabilidade econômica da exploração comercial está prevista para março de 2028.