Irã lucra bilhões com petróleo em meio a tensões com EUA
Irã lucra bilhões com exportação de petróleo durante breve suspensão de sanções dos EUA, injetando recursos em sua economia abalada pelo conflito.

O Irã utilizou um breve período de cessar-fogo com os Estados Unidos, em meados de junho, para gerar bilhões de dólares através da venda de petróleo. Durante o período em que as sanções americanas foram suspensas, o regime iraniano conseguiu exportar entre 45 milhões e 50 milhões de barris. Essa exportação representa uma injeção financeira crucial para a economia do país, que tem sofrido com o conflito e as sanções impostas.
## Venda estratégica em meio à escalada
O acordo de paz, que durou menos de um mês, incluiu duas concessões significativas por parte dos EUA: a suspensão do bloqueio naval e a isenção das sanções sobre as vendas de petróleo iraniano. Apesar de o governo americano ter revogado essa isenção em 7 de julho, após ataques a petroleiros no Estreito de Hormuz, o Irã já havia agido rapidamente. Navios iranianos conseguiram atravessar o estreito em direção à Ásia, onde o país mantêm uma rede de compradores para suas exportações, muitas vezes realizadas de forma discreta.
## Petróleo: a espinha dorsal da economia iraniana
Antes do bloqueio naval americano, o petróleo respondia por cerca de 80% do total das exportações iranianas. O bloqueio havia retido mais de 1,5 milhão de barris diários. A capacidade de exportar milhões de barris durante a suspensão das sanções proporcionou ao Irã um alívio financeiro necessário, especialmente em um momento de escalada no conflito com os EUA. Os custos da guerra e a destruição física têm impactado severamente a economia iraniana, elevando os preços de itens básicos como alimentos e medicamentos.
Com a reimposição das sanções em 14 de julho, que cortam a principal fonte de receita do Irã, os barris de petróleo que já estavam em trânsito para a Ásia se tornam um ativo estratégico de grande valor para o regime. A estratégia de usar navios-tanque disfarçados, conhecidos como "frota fantasma", com bandeiras falsas e transponders desligados, tem sido utilizada para ocultar o destino e a propriedade das mercadorias, principalmente para compradores como as refinarias "teapot" da China, que operam com descontos significativos e sob risco.