Inflação no Japão acelera e pressiona alta de juros

Inflação ao produtor no Japão sobe 7,1% em junho, maior alta em 3 anos, impulsionada por custos de energia e conflitos. Aumento pressiona Banco do Japão por alta de juros.

Inflação no Japão acelera e pressiona alta de juros

A inflação ao produtor no Japão atingiu o ritmo mais acelerado em mais de três anos em junho, registrando um aumento de 7,1% em relação ao ano anterior. O índice superou as previsões de mercado e reforça os argumentos para que o Banco do Japão (BoJ) considere novos aumentos nas taxas de juros.

Os dados, divulgados nesta sexta-feira, seguem um alerta do próprio BoJ na quinta-feira, que indicava uma transmissão mais rápida dos custos de produção para os preços finais, com potencial para impulsionar a inflação ao consumidor ainda este ano. A alta de 7,1% em junho é a maior desde março de 2023 e supera a taxa revisada de 6,6% registrada em maio.

## Pressão de custos e conflitos globais

Especialistas atribuem a aceleração da inflação no atacado à persistência das tensões no Oriente Médio, ao repasse de custos de energia e a um aumento significativo nos preços de combustíveis e metais não ferrosos. A desvalorização contínua do iene também contribui para o encarecimento das importações de matérias-primas, essenciais para a economia japonesa.

O índice de preços de importação em ienes, por exemplo, subiu 29,7% em junho na comparação anual, acelerando em relação ao mês anterior. Esse cenário complexifica a atuação do BoJ, que busca controlar a inflação sem prejudicar a recuperação econômica.

## Decisão do Banco do Japão em foco

Os dados de inflação estarão entre os principais fatores considerados pelo Banco do Japão em sua próxima reunião de política monetária, agendada para o final de julho. Embora o consenso aponte para a manutenção das taxas de juros estáveis após o aumento em junho, novas projeções econômicas e de preços podem sinalizar o momento de futuros ajustes.

A meta de inflação do BoJ, de 2%, ainda não foi consistentemente atingida no varejo, em parte devido a subsídios governamentais que atenuam o impacto do aumento de custos para as famílias. No entanto, a persistência da inflação ao produtor pode forçar uma revisão dessa estratégia, com especulações sobre um possível aumento já em outubro.