Inflação desacelera em junho com queda nos preços de alimentos e combustíveis
Inflação oficial (IPCA) desacelera para 0,16% em junho, menor índice do ano. Queda nos preços de alimentos e combustíveis compensa alta da energia elétrica. Acumulado em 12 meses é de 4,64%.

A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apresentou uma desaceleração significativa em junho, registrando 0,16%. Este é o menor índice mensal do ano e representa uma queda em relação aos meses anteriores. A principal força por trás dessa desaceleração foram os recuos nos preços de alimentos e combustíveis, que compensaram parcialmente a alta em outros setores, como o de energia elétrica.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a queda nos alimentos e bebidas foi de 0,24% em junho, sendo a primeira deflação registrada desde novembro de 2025. Entre os itens que puxaram os preços para baixo estão café moído (-3,72%), frutas (-1,58%), carnes (-0,64%) e tomate (-2,02%). O analista do IBGE, Fernando Gonçalves, atribui essa queda à devolução de altas recentes e a uma maior oferta de produtos específicos, como o tomate.
No setor de transportes, os combustíveis também apresentaram queda, com recuo de 0,48%. A gasolina, por exemplo, ficou 0,12% mais barata. No entanto, as passagens aéreas registraram alta de 7,12%, contribuindo para que o grupo de transportes, no geral, apresentasse uma leve alta de 0,17%.
Em contrapartida, o grupo habitação foi o que mais pressionou a inflação para cima, impulsionado pela energia elétrica, que subiu 1,53%. Essa alta está relacionada à manutenção da bandeira tarifária amarela e a reajustes em diversas capitais.
O IPCA acumulado no semestre alcançou 3,36%, e a taxa acumulada nos últimos 12 meses ficou em 4,64%. Embora ainda acima da meta do governo de 4,5%, o índice dos últimos 12 meses está abaixo do registrado até maio (4,72%). A projeção do mercado financeiro para o IPCA de junho era de 0,32%, indicando que o resultado oficial veio abaixo das expectativas.
Em Goiânia, a inflação em junho foi de 0,26%, também representando uma desaceleração em relação a maio. Contudo, o índice acumulado na capital goiana nos últimos 12 meses (5,41%) permanece superior ao índice nacional. A queda em Goiânia foi puxada pelos combustíveis (-1,37%) e alimentos (-0,38%), mas a energia elétrica residencial subiu 2,88%.