Indústria Brasileira Recua em Maio com Queda na Extração

Produção industrial brasileira cai 0,2% em maio, puxada por setores extrativos e de derivados de petróleo. Indústria de transformação mostra resiliência pontual.

Indústria Brasileira Recua em Maio com Queda na Extração

A produção industrial brasileira registrou uma leve contração de 0,2% em maio deste ano em comparação com abril, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recuo interrompeu uma sequência de cinco meses de expansão e ficou abaixo das expectativas de mercado, que previam um leve avanço.

## Setores-chave em Declínio

As principais causas para a queda foram o desempenho negativo dos segmentos de coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis, que apresentaram uma retração de 6,1%, e das indústrias extrativas, com queda de 2,6%. Esses setores vinham sustentando o crescimento da atividade industrial nos meses anteriores, mas em maio mostraram perda de fôlego, com destaque para a extração de minério de ferro, que impactou significativamente o resultado geral.

## Transformação Mostra Resiliência

Em contrapartida, a indústria de transformação, que representa a maior parte da produção nacional (cerca de 90%), apresentou um resultado positivo, com crescimento de 0,1% em maio. Embora seja o menor avanço desde dezembro, o setor demonstrou resiliência em um cenário de política monetária restritiva. Analistas apontam que este setor, mais sensível às taxas de juros, tem conseguido manter uma estabilidade, mesmo que com ritmo mais lento.

## Destaques e Surpresas

Apesar do cenário geral negativo, 16 dos 25 ramos industriais registraram crescimento na comparação mensal. Os setores farmacêutico (+13,1%), automotivo (+4,1%) e químico (+3,1%) se destacaram positivamente. O setor de veículos automotores, em particular, tem apresentado uma melhora consistente desde o final do ano passado. Uma surpresa negativa foi a queda na produção de alimentos (-1,3%), possivelmente influenciada por um desempenho abaixo do esperado no processamento de carnes e na produção de açúcar.

## Perspectivas para o Ano

Economistas avaliam que, apesar da queda em maio, a indústria extrativa deve manter o crescimento ao longo do ano, embora a indústria de transformação deva perder fôlego gradualmente. A produção industrial acumulada no ano registra alta de 1,4%, ainda sustentada pela mineração e petróleo. Contudo, o crescimento permanece concentrado em poucos setores e a disseminação para indústrias mais sensíveis aos juros, como bens de capital, ainda é limitada. A expectativa é de uma perda gradual de tração nos próximos meses, influenciada pela política monetária.