Indústria brasileira pede cotas contra produtos asiáticos após tarifas dos EUA
Indústrias brasileiras de calçados, móveis e pneus pedem cotas de importação para produtos asiáticos como resposta às tarifas dos EUA e concorrência estrangeira. O governo estuda medidas para proteger a produção nacional.

Setores industriais brasileiros que serão impactados pela nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos solicitaram ao governo federal a implementação de cotas de importação para produtos asiáticos. A medida visa conter o que é descrito como uma "invasão" de mercadorias subsidiadas da Ásia, que competem deslealmente com a produção nacional, e busca compensar as perdas de mercado no exterior devido às sobretaxas anunciadas pelo governo Trump.
## Concorrência e Tarifas nos EUA
Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), detalhou que a conversa com representantes do governo Lula, incluindo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), abordou a necessidade de impor cotas a itens como calçados, pneus, móveis, madeira, rochas ornamentais e fumo. Segundo Ferreira, a indústria nacional enfrenta dificuldades para competir tanto no mercado internacional, com as novas tarifas americanas, quanto no mercado interno, diante do aumento das importações asiáticas.
Ferreira expressou que o Brasil se encontra em uma posição de negociação delicada com os Estados Unidos, especialmente após a decisão da Suprema Corte americana ter validado as tarifas com base jurídica mais sólida do que em ocasiões anteriores. Ele sugere que o governo brasileiro pode precisar ceder em alguns pontos para conseguir isenções ou reduções nas novas sobretaxas. A presença do candidato Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos durante o período de negociações foi apontada como um fator que pode ter prejudicado o andamento das discussões e contribuído para a imposição das tarifas.
## Estratégias para o Mercado Interno e Externo
O mercado americano, historicamente o principal destino das exportações de calçados brasileiros, representa cerca de 20% do total exportado pelo setor. A indústria brasileira desenvolve produtos sob encomenda para importadores americanos, mas as novas tarifas de 50% tornam inviável a divisão do imposto entre produtor e importador, como ocorria anteriormente. Sem a capacidade financeira para arcar com parte significativa desse custo adicional, a indústria teme a perda desse mercado.
Como estratégia de curto prazo, o governo brasileiro anunciou medidas de proteção e apoio às indústrias afetadas, como o Plano Brasil Soberano, que são vistas como um socorro inicial. No entanto, para Haroldo Ferreira, essas ações são paliativas. A indústria busca um acordo com o governo para que o Brasil negocie a redução das tarifas ou a inclusão de mais setores na lista de exceções americanas. A imposição de cotas sobre produtos asiáticos é vista como uma alternativa para fortalecer a produção nacional e mitigar os efeitos combinados das políticas comerciais americanas e da concorrência internacional.