Indústria Brasileira em Declínio: Especialista Alerta para União Setorial
CEO da Aço Verde do Brasil alerta para forte desindustrialização e dependência de importados no Brasil, defendendo união setorial para recuperar relevância industrial e gerar empregos.

A indústria brasileira tem perdido relevância no Produto Interno Bruto (PIB) do país, cenário que exige uma união estratégica do setor produtivo. Silvia Nascimento, CEO da Aço Verde do Brasil (AVB), alertou para a desindustrialização acelerada e a dependência crescente de produtos importados, em entrevista ao programa Mapa da Mina.
## Desindustrialização e Perda de Empregos
Nascimento destacou que o fechamento de indústrias no Brasil tem gerado um impacto negativo no mercado de trabalho, com a substituição da produção nacional por itens acabados vindos do exterior. Segundo ela, o país tem se concentrado na exportação de commodities, produtos de baixo valor agregado, e na importação de bens de alta tecnologia. Essa dinâmica, conforme a CEO, compromete não apenas o emprego, mas também o desenvolvimento tecnológico e a formação de mão de obra qualificada.
"Quanto menos tecnologia e quanto menos produtos de alto valor agregado forem produzidos no Brasil, menos emprego, menos tecnologia, menos engenheiros, menos grandes indústrias, menos treinamento de pessoal", declarou, reforçando a perda de importância do setor industrial no PIB nacional.
## União em Torno da Recuperação Industrial
A executiva defende que o movimento de aproximação entre setores como siderurgia, montadoras e construção civil, que buscam medidas contra o "dumping chinês" — venda de produtos importados abaixo do custo de produção —, deve ir além do protecionismo setorial. Para Silvia Nascimento, é fundamental um reconhecimento amplo pela sociedade de que a solidez de um país está atrelada à sua capacidade industrial.
"Não existe país sem indústria, infraestrutura, grandes empresas, engenheiros e tecnologia", ressaltou. Ela observou que, enquanto outras nações fortalecem suas economias internas, o Brasil caminha na direção oposta, aumentando sua dependência externa. "Todos os grandes empresários, todas as grandes empresas, o país está entendendo que a gente tem que cuidar da gente", afirmou, enfatizando o enfraquecimento de setores vitais como a indústria de base, automotiva e de máquinas.
A CEO concluiu que o país enfrenta uma "desindustrialização muito acelerada", reforçando a urgência de uma agenda comum para o fortalecimento da produção nacional.