Indústria Brasileira Defende Comércio com EUA em Audiência Crucial

Indústria brasileira defende a relação comercial com os EUA em audiências do USTR, argumentando complementaridade e tradição para evitar novas tarifas.

Indústria Brasileira Defende Comércio com EUA em Audiência Crucial

Representantes da indústria brasileira defenderam nesta terça-feira (7) o comércio bilateral com os Estados Unidos durante audiências promovidas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos). A investigação visa apurar supostas práticas comerciais brasileiras prejudiciais à relação entre os países, mas o setor produtivo nacional aposta em argumentos de complementaridade e longa tradição para refutar as acusações e evitar a imposição de novas tarifas.

## Complementaridade como Ponto Central

Porta-vozes de entidades como a Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), Sindifer (Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais) e Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) destacaram que a produção brasileira não compete diretamente com a americana, mas a complementa. Segundo Paulo Pupo, da Abimci, e Fausto Cançado, do Sindifer, o Brasil supre demandas que os EUA não conseguem atender internamente. Um exemplo citado é o setor de calçados, onde os EUA dependem de fornecedores externos para suprir sua demanda, tendo a China como principal beneficiária caso o Brasil perca espaço.

Patricia Gomes, diretora de Comércio Exterior da Abimaq, reforçou a ideia de uma cadeia produtiva integrada, onde 82% dos negócios ocorrem entre empresas relacionadas. "O comércio é complementar, tem uma cadeia produtiva integrada. Então, qualquer efeito sobre ela promove desorganização e prejuízo para os dois lados", explicou. A preocupação é que tarifas sobre produtos brasileiros possam não apenas prejudicar a indústria nacional, mas também encarecer produtos para o consumidor americano.

## Tradição e Relação Comercial Consolidada

Além da complementaridade, o argumento da "tradição" na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos foi enfatizado. Fausto Cançado, do Sindifer, apontou que o Brasil é um fornecedor crucial de ferro-gusa, matéria-prima para a produção de aço nos EUA. As exportações brasileiras representam mais de 60% do consumo americano desse insumo, enquanto a produção doméstica dos EUA supre apenas 6%. A imposição de uma tarifa de 25% poderia inviabilizar essa relação, forçando importadores a buscarem novos mercados e elevando os custos para o consumidor final.

Paulo Pupo também ressaltou que há um consenso entre produtores e compradores sobre a falta de sentido em taxar produtos brasileiros, dada a relação comercial consolidada há décadas. "O insumo brasileiro é um produto difícil de substituir", complementou Patricia Gomes, da Abimaq. Ela ainda destacou que maquinários são investimentos de longo prazo, que demandam certificações e negociações complexas, tornando a substituição de fornecedores brasileiros um processo custoso e demorado para as empresas americanas.

A audiência, que se encerra nesta terça-feira, representa um momento crítico para a defesa do comércio exterior brasileiro perante as autoridades americanas, buscando manter a integridade das relações comerciais e evitar impactos negativos para ambas as economias.