Iene se fortalece com plano japonês para fundos de pensão

Governo japonês planeja incentivar fundos de pensão a investir mais em ativos domésticos, fortalecendo o iene. Medida visa dar suporte mais duradouro à moeda, que se valorizou ante dólar, euro e libra.

Iene se fortalece com plano japonês para fundos de pensão

O iene registrou uma valorização significativa nesta sexta-feira (10) após o anúncio de que o governo japonês pretende estimular os fundos de pensão a aumentar seus investimentos em ativos financeiros dentro do próprio país. Analistas apontam que esta medida pode oferecer um suporte mais sustentado à moeda japonesa do que intervenções diretas no mercado cambial.

A ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, comunicou que o governo está avaliando ações direcionadas ao Fundo de Investimento de Pensões do Governo (GPIF), um dos maiores fundos de pensão do mundo, com o objetivo de promover "investimentos substancialmente maiores em ativos financeiros japoneses".

Após a notícia, o iene apresentou uma forte alta, chegando a se valorizar 0,6% e sendo negociado a 161,44 ienes por dólar. Fabien Yip, analista de mercado da IG, destacou que uma alteração estrutural na estratégia de investimento dos fundos de pensão teria um impacto considerável nos fluxos financeiros do Japão. "Os fundos de pensão são muito grandes. Atualmente, cerca de 50% dos recursos estão alocados em investimentos no exterior. Uma alteração nesse quadro geraria entradas relevantes de capital para ativos domésticos, beneficiando não apenas o iene, mas também ações e títulos japoneses", explicou.

Segundo Yip, com o iene próximo de seus menores níveis em quatro décadas frente ao dólar e com as alternativas para sustentá-lo parecendo esgotadas, medidas que elevem a demanda por ativos denominados em ienes tendem a fortalecer a divisa no longo prazo. A valorização da moeda japonesa foi generalizada: o euro caiu 0,34% contra o iene, para 184,93, e a libra esterlina recuou 0,27%, para 217,06.

Até a divulgação dessas medidas, o iene operava perto de mínimas históricas, mantendo os investidores em alerta quanto a uma possível nova intervenção das autoridades japonesas no mercado cambial. A força da moeda japonesa também exerceu pressão sobre o dólar, cujo índice frente a uma cesta de divisas recuava 0,3%, atingindo 100,61.

No cenário global, os investidores pareceram dar menos atenção ao aumento das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã. A queda nos preços do petróleo e a alta nas bolsas indicavam um maior apetite por risco, embora o colapso do cessar-fogo tenha reavivado preocupações sobre os preços da energia e a inflação mundial. "O espectro da guerra continua pairando sobre o sentimento dos mercados", observou Thierry Wizman, estrategista global de câmbio e juros do Macquarie Group, ponderando se o Irã estaria disposto a um confronto militar em larga escala para reforçar sua posição sobre o controle do Estreito de Ormuz.

Apesar das incertezas geopolíticas, o dólar caminhava para encerrar a semana com variação praticamente estável. A busca por ativos considerados seguros foi contrabalançada pela redução das apostas em novas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed). O euro avançava 0,25%, negociado a US$ 1,1459, e a libra esterlina subia 0,3%, a US$ 1,3451, acumulando um ganho semanal superior a 0,7%. O dólar australiano registrava alta de 0,27% (US$ 0,6960), e o neozelandês avançava 0,58% (US$ 0,5789), este último projetado para uma valorização semanal acima de 1,4% após o banco central do país elevar os juros e sinalizar novas altas.

O Westpac projeta aumentos de 25 pontos-base nas reuniões de setembro e dezembro, com a taxa básica de juros podendo atingir um pico de 4% em setembro de 2027. "O momento exato de novos aumentos é altamente incerto, e mesmo o aperto monetário que projetamos para setembro de 2026 não deve ser encarado como garantido", afirmou Kelly Eckhold, economista-chefe do Westpac.