Ibovespa dispara com otimismo sobre tensões EUA-Irã

Ibovespa atinge máxima intradia com otimismo sobre resolução de conflito entre EUA e Irã. Queda do petróleo e alívio nas curvas de juros impulsionam ações.

Ibovespa dispara com otimismo sobre tensões EUA-Irã

A bolsa brasileira, Ibovespa, renovou sua máxima e chegou a flertar com os 173 mil pontos na tarde desta quinta-feira, 9. O desempenho positivo foi impulsionado por uma leitura de "copo meio cheio" do mercado financeiro em relação ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã.

## Otimismo no Mercado

Relatos de que mediadores internacionais, incluindo Paquistão e Catar, estão trabalhando para retomar negociações entre os dois países, após o presidente americano Donald Trump afirmar que o Irã demonstrou interesse em fechar um acordo, trouxeram alívio aos investidores. A percepção predominante é de que os recentes ataques no Estreito de Ormuz são eventos pontuais e temporários. Essa visão contribuiu para a queda de cerca de 2% no preço do petróleo, o que, por sua vez, ajudou as curvas de juros a cederem, abrindo espaço para um maior apetite por ativos de renda variável.

## Desempenho do Ibovespa

Após um início de dia com estabilidade, o Ibovespa escalou para 172.932,89 pontos, registrando uma alta de 1,34% em seu nível intradia mais alto. Ao final do pregão, o índice fechou com avanço de 1,22%, atingindo 172.742,12 pontos. Apesar da alta semanal acumulada ser de queda de 0,76%, o índice apresenta ganhos de 0,42% no mês e 7,21% no ano. O giro financeiro do dia foi de R$ 19,49 bilhões, um volume abaixo da média, influenciado pela menor liquidez devido ao feriado no Estado de São Paulo.

## Análise de Especialistas

Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, destacou que a declaração de Trump sobre o Irã ser "muito interessado em fazer um acordo" foi interpretada positivamente pelo mercado, apesar de serem informações extraoficiais. Ele avalia que, com o petróleo Brent se mantendo mais próximo de US$ 75 por barril, um cenário de commodities acima de US$ 90 parece menos provável, o que diminui a pressão para o Federal Reserve (Fed) aumentar os juros rapidamente. Essa perspectiva também alivia a curva de juros doméstica, com expectativas de ao menos mais um corte na Selic em agosto.

## Impacto Setorial

A recuperação geral da Bolsa foi observada em praticamente todos os setores, impulsionada pelo fechamento da curva de juros. Ações cíclicas, como as do Magazine Luiza, lideraram a ponta positiva com ganhos de 7%. Em contrapartida, as ações de empresas petrolíferas, incluindo a Petrobras, figuraram entre as poucas quedas do dia, mas não foram suficientes para ofuscar a alta superior a 1% nos papéis de bancos e os ganhos do setor metálico. Gustavo Bertotti, head de renda variável da Fami Capital, ressaltou o clima mais ameno no exterior e o entendimento de que os recentes ataques não se prolongarão.

## Indicadores e Alertas

Um ponto de alerta destacado foi a acentuada queda no tráfego marítimo do Estreito de Ormuz, com a passagem de apenas 14 navios carregados de commodities na quinta-feira, frente a uma média diária de 34 embarcações desde junho, segundo a Bloomberg. Para a próxima sexta-feira, 10, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho será um importante calibrador para as expectativas sobre a Selic, com a projeção mediana indicando uma desaceleração para 0,31%.