Ibovespa cai 0,93% e ignora alta de NY; entenda os motivos
Ibovespa recua 0,93% e se distancia de bolsas dos EUA. Saída de capital estrangeiro, eleições e audiência comercial nos EUA pressionam índice.

O Ibovespa fechou em queda de 0,93% nesta segunda-feira (6), atingindo 172.447,58 pontos, destoando da performance positiva das bolsas de Nova York e de outros ativos domésticos. A sessão foi marcada por uma giro financeiro de R$ 16,94 bilhões e um movimento de rotação de carteiras globais, que favoreceram empresas de tecnologia e Inteligência Artificial em detrimento do mercado brasileiro.
Um dos principais fatores para a desvalorização do índice foi a aparente saída de recursos estrangeiros da renda variável nacional. Embora tenha havido entrada de R$ 567,6 milhões na quinta-feira anterior, o acumulado de julho ainda registra uma retirada de R$ 22,223 milhões. A proximidade das eleições presidenciais no Brasil, que renova receios sobre a qualidade da política fiscal a partir de 2027, também contribuiu para a cautela dos investidores.
## Incertezas políticas e fiscais
O cenário eleitoral brasileiro, que se intensifica no segundo semestre, aumenta a percepção de risco para investidores. A análise aponta que, apesar de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não ser um candidato novo, sua manutenção no poder levanta questionamentos sobre a implementação de uma âncora fiscal e o compromisso com reformas estruturais, gerando volatilidade.
## Impacto de audiências e cenário global
Outro ponto de atenção foi o início da audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sobre práticas comerciais do Brasil. Operadores de renda variável monitoraram de perto o desenvolvimento do caso, que pode ter implicações nas relações comerciais bilaterais. No âmbito global, a preferência por empresas de tecnologia e IA em detrimento de outros mercados também pesou sobre o desempenho do Ibovespa.
## Outros fatores de pressão
A eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo também teve um impacto setorial, com a Ambev, uma das ações mais negociadas, caindo 2,52% sob a expectativa de menor consumo de bebidas. Além disso, a política monetária brasileira, apesar de um leve alívio nas projeções de inflação para 2026, ainda aponta para juros altos por mais tempo, cenário desfavorável para a renda variável ao impactar o lucro futuro das empresas.
## Desempenho setorial e perspectivas
Ações cíclicas, como Totvs, Lojas Renner e Yduqs, registraram as maiores quedas, superando 4%. Os bancos também sofreram, com o Itaú PN (ITUB4) caindo 0,42% e o Banco do Brasil ON (BBAS3) recuando 1,05%. Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3) também apresentaram perdas superiores a 1%. As atenções da semana se voltam agora para a ata do Federal Reserve (Fed) e para o IPCA de junho, que poderão influenciar as apostas sobre os juros nos Estados Unidos.