IA pressiona inflação e pode adiar cortes de juros, diz ex-líder do Fed
Ex-presidente do Fed, Janet Yellen, alerta que IA eleva inflação ao aumentar demanda por semicondutores e energia, dificultando corte de juros. Conflitos no Oriente Médio também pressionam preços.

A inteligência artificial (IA) está, neste momento, impulsionando a inflação em vez de reduzi-la, de acordo com Janet Yellen, ex-presidente do Federal Reserve (Fed) e ex-secretária do Tesouro dos Estados Unidos. Em sua avaliação, o ciclo intenso de investimentos no setor de IA tem gerado um aumento significativo na demanda por componentes essenciais como semicondutores e energia elétrica. Essa elevação na procura, por sua vez, pressiona os preços desses insumos e, consequentemente, de produtos eletrônicos.
## Impacto na Política Monetária
Yellen explicou que esse cenário de inflação ascendente impede o Fed de considerar a redução da taxa básica de juros no curto prazo. A economista reconheceu que, a longo prazo, a IA tem o potencial de gerar ganhos de produtividade expressivos, comparáveis ao impacto da internet na segunda metade da década de 1990. Contudo, ela ressaltou que, por enquanto, não há evidências concretas de uma melhora generalizada na produtividade, apesar de alguns setores já apresentarem efeitos positivos.
## Choques de Oferta e Cenário Global
A ex-líder do Fed também abordou o cenário inflacionário em um contexto global. Ela mencionou que, recentemente, havia uma expectativa de trégua no Oriente Médio, o que contribuiu para uma queda nos preços do petróleo e para leituras mais favoráveis da inflação nos EUA. No entanto, essa perspectiva mudou com a intensificação dos conflitos na região, levando o preço do petróleo a superar os US$ 100 o barril. Yellen classificou essa alta como mais um choque de oferta, que deve manter a inflação em patamares elevados por, pelo menos, mais um ano. Apesar de o Fed tender a esperar que esses choques de oferta se dissipem antes de endurecer ainda mais a política monetária, Yellen expressou preocupação com o risco de uma aceleração inflacionária.
## Juros Inalterados com Possibilidade de Alta
Segundo Yellen, a expectativa é que os juros permaneçam inalterados no momento. Ela, porém, assegurou que o banco central americano está "muito, muito preparado" para elevar as taxas novamente caso o conflito entre Estados Unidos e Irã se prolongue ou se intensifique. Yellen também comentou as iniciativas do atual presidente do Fed, Kevin Warsh, de criar forças-tarefa para revisar a atuação do banco central, indicando que é natural que um novo líder queira reavaliar processos, especialmente após críticas anteriores à condução da política monetária. Ela observou que revisões externas podem ser valiosas, mas que o próprio Fed já realiza análises contínuas sobre esses temas.