IA pode impulsionar países emergentes, aponta Banco Mundial
Banco Mundial aponta que IA pode acelerar desenvolvimento em países emergentes, mas alerta sobre riscos de desigualdade e necessidade de infraestrutura e qualificação.

A inteligência artificial (IA) tem o potencial de proporcionar um avanço sem precedentes para países em desenvolvimento, permitindo que alcancem um século de progresso em apenas uma década. Essa é a principal conclusão de um relatório divulgado pelo Banco Mundial, que destaca a oportunidade única que a IA representa para economias emergentes. No entanto, a instituição também emite um alerta sobre os riscos associados, como o aprofundamento da desigualdade de renda e a exclusão digital.
## Oportunidades e Desafios da IA
Segundo o documento, as economias em desenvolvimento têm mais a ganhar e menos a temer com a ascensão da IA em comparação com as nações mais ricas. Uma das razões é que a perda generalizada de empregos, uma das principais preocupações globais relacionadas à IA, representa uma ameaça menor para esses países. O relatório estima que apenas 4,5% dos empregos em economias de baixa e média renda estejam em risco, enquanto nas nações ricas esse número chega a 14,2%.
Para que o potencial da IA seja plenamente aproveitado, o Banco Mundial aponta a necessidade de medidas rápidas e estratégicas. Entre as ações cruciais estão a superação das lacunas existentes em infraestrutura de energia, conectividade digital e qualificação profissional. Indermit Gill, economista-chefe do Banco Mundial, enfatiza que a IA lançou uma "tábua de salvação" para essas economias e que elas devem aproveitá-la. Ele sugere que, ao adaptar ferramentas de IA de baixo custo às realidades locais, é possível melhorar o acesso a serviços essenciais como saúde, educação, justiça e extensão agrícola para milhões de pessoas.
## Preparação e Riscos
O relatório também aborda os desafios práticos, como a necessidade de construir data centers que demandam grande quantidade de energia e a garantia de fontes de geração energética para sustentá-los. Contudo, Gill ressalta que não são necessários recursos vultosos nem modelos de IA altamente complexos para que os benefícios sejam alcançados.
Os governos dos países em desenvolvimento são aconselhados a investir na melhoria do acesso à eletricidade e à internet, no aprimoramento das habilidades digitais da população e na ampliação do acesso a smartphones e outros dispositivos de computação. Apesar do otimismo, o Banco Mundial alerta para os riscos de que a IA possa exacerbar a desigualdade de renda, facilitar a disseminação de desinformação e fortalecer mecanismos de repressão política. A mensagem final é clara: o custo de ficar de fora dessa revolução tecnológica pode ser ainda maior do que os desafios enfrentados, remetendo a perdas históricas em revoluções industriais passadas.