IA impulsiona produtividade, mas inflação ainda é o maior risco, dizem gestores

Gestores apontam que IA já gera ganhos concretos de produtividade e receita, mas inflação é o principal risco. Empresas financeiras e de tecnologia lideram adoção e retorno.

IA impulsiona produtividade, mas inflação ainda é o maior risco, dizem gestores

## IA e o Retorno sobre Investimento

A inteligência artificial (IA) se consolida como um pilar central nas discussões entre investidores e executivos, com o debate sobre o retorno sobre o investimento (ROI) ganhando contornos mais definidos. Apesar do avanço da produtividade impulsionado pela tecnologia, a inflação persiste como o principal risco a ser monitorado no cenário econômico global. Essa foi uma das principais conclusões do painel "Mundo em Movimento: As perspectivas das bolsas globais", que reuniu especialistas como Laura Howenstine (Wellington Management), Alastair Pang (Morgan Stanley) e Gina Adams (HB Wealth Management).

Para Gina Adams, da HB Wealth Management, a quantificação dos retornos da IA depende da forma como a tecnologia é integrada aos negócios e do tipo de empresa analisada. Companhias que utilizam a IA para transformar suas operações já registram resultados positivos, especialmente em termos de crescimento de receita e ganhos de eficiência. Cerca de 75% das empresas esperam algum nível de retorno sobre receita com a adoção da IA, indicando um impacto tangível.

Laura Howenstine ressaltou a importância de diferenciar grupos de empresas. Os "hyperscalers", grandes provedores de infraestrutura de data centers, já demonstram retornos mais consolidados sobre seus investimentos em tecnologia. Alastair Pang descreveu os retornos sobre capital investido em IA como "incríveis", impulsionados por uma nova inteligência baseada em tokens que gera avanços e oportunidades comerciais. Ele considera que o mercado atual em relação à IA se assemelha mais a 1997 do que a 1994 ou 1999, com expansão de margens e crescimento de gastos de capital.

## Expansão e Novos Cenários da IA

Apesar do entusiasmo, o mercado tem mantido uma postura racional na avaliação das empresas que convertem investimentos em resultados. Laura Howenstine não vê paralelos diretos entre o atual ciclo de investimentos em IA e a bolha da internet no final dos anos 1990, citando uma base econômica e operacional mais sólida. Os retornos já confirmam a validade dos investimentos, impulsionados pelo consumo crescente dessa inteligência por empresas e consumidores.

Os últimos seis meses foram um ponto de inflexão para a indústria, com o avanço da IA agêntica. A infraestrutura necessária para essa nova fase tem gerado escassez em partes da cadeia produtiva. A expectativa é de uma adoção mais ampla da IA em diversos segmentos, incluindo bancos, logística, documentação corporativa, atividades administrativas e saúde. O setor financeiro, em particular, já se destaca por capturar retornos econômicos significativos, especialmente empresas com modelos de negócio centrados em IA.

Laura Howenstine também aponta oportunidades em empresas não tradicionalmente classificadas como de IA, mas que já agregam valor com a tecnologia. O painel indicou que, embora a IA amplie margens e produtividade, a inflação continua sendo o principal risco macroeconômico a ser observado, exigindo cautela dos gestores e investidores no acompanhamento do cenário global.