Guerra no Oriente Médio impulsiona superávit primário do Brasil
Projeções do governo para 2026 indicam superávit primário de R$ 10,8 bilhões, impulsionado pela alta do petróleo e medidas fiscais. Analistas alertam para a complexidade do cálculo e impacto dos juros.

As projeções do governo para 2026 indicam um cenário financeiro mais favorável, com um aumento significativo na arrecadação líquida esperada. Uma elevação de R$ 12,3 bilhões na arrecadação foi divulgada, influenciada indiretamente pela escalada dos preços do petróleo, decorrente da guerra no Oriente Médio. Este fator, somado a uma projeção de inflação mais alta e ganhos com medidas tributárias estruturais, como a tributação de fundos exclusivos, contribui para a melhora do resultado primário.
## Melhora nas Contas Públicas
Com o aumento previsto nas receitas, o déficit primário estimado para 2026 foi ajustado para R$ 52 bilhões. No entanto, após deduções legais, este valor se transforma em um superávit projetado de R$ 10,8 bilhões. Essa projeção supera o piso da meta fiscal, que é zero, mas permanece abaixo do centro da meta, fixado em R$ 34,3 bilhões. A secretária de Política Econômica, Débora Freire, destacou que, embora os impactos da guerra no Oriente Médio e a alta do petróleo sejam fatores relevantes, não é possível isolar seus efeitos específicos.
## Impactos e Projeções Detalhadas
O Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias (RARDP) de julho aponta para um aumento de R$ 12,7 bilhões na projeção do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de R$ 4,8 bilhões na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). O documento também sinaliza uma redução na projeção de despesas em áreas como Previdência e Benefícios de Prestação Continuada (BPC), permitindo o desbloqueio de R$ 5,7 bilhões em despesas retidas. Uma parte desse valor, R$ 1,2 bilhão, será destinada a emendas parlamentares. A projeção para o preço médio do barril de petróleo Brent em 2026 está em US$ 79,16, enquanto o valor atual ultrapassa os US$ 86. O cenário geopolítico atual é considerado incerto, e o governo não trabalha com revisões imediatas.
## Receitas do IRPF e Análise de Mercado
O relatório não incluiu a frustração de receitas esperada com o Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) sobre dividendos, que visa compensar o aumento do limite de isenção. A arrecadação prevista para este item foi reduzida de R$ 28 bilhões para R$ 17,2 bilhões, o que pode ser insuficiente para cobrir a renúncia fiscal estimada em R$ 25,8 bilhões. Apesar disso, a arrecadação geral do IRPF continua crescendo, mesmo com a isenção ampliada. Analistas de mercado, contudo, demonstram cautela com esses dados, pois as exceções e ajustes no cálculo do resultado primário tornam a meta fiscal menos representativa. A utilização de linhas de crédito pelo governo para estimular a economia também levanta preocupações sobre a manutenção de juros elevados pelo Banco Central.