Guerra no Oriente Médio desestabiliza mercado de petróleo

Guerra no Oriente Médio causa choque de oferta e queda na demanda de petróleo. China reduz importações, e barris são vendidos com grandes descontos.

Guerra no Oriente Médio desestabiliza mercado de petróleo

A escalada do conflito no Oriente Médio está provocando um desequilíbrio sem precedentes no mercado global de petróleo, afetando tanto a oferta quanto a demanda. O cenário, antes regido por um superávit histórico de barris, transformou-se em um dos piores choques de oferta já registrados, agravado pelo fechamento de rotas de exportação cruciais no Golfo Pérsico.

## Choque de Oferta e Desconto de Barris

Mesmo com a reabertura do Estreito de Ormuz, que permitiu a circulação de centenas de milhões de barris, o mercado tem demonstrado uma relutância incomum em absorver o produto. Empresas como Qatar Energy e Adnoc, dos Emirados Árabes Unidos, foram forçadas a oferecer descontos significativos, entre US$ 6 e US$ 9 por barril, para encontrar compradores no Sudeste Asiático. A situação do Irã é ainda mais crítica, com grande parte de seu petróleo sendo vendido quase que exclusivamente para a China, que, por sua vez, reduziu drasticamente suas importações. Mais de 18 milhões de barris de petróleo não iraniano permanecem em navios-tanque aguardando compradores, um volume mais de duas vezes superior aos níveis pré-guerra.

## Queda na Demanda Chinesa e Refinarias sobrecarregadas

A demanda global por petróleo permanece cerca de 4 milhões de barris por dia abaixo dos níveis anteriores ao conflito. Uma das principais causas apontadas é a drástica redução nas importações chinesas, que caíram de mais de 12 milhões de barris diários para menos de 8 milhões. Essa queda na procura chinesa tem impactado significativamente os preços globais, impedindo que o petróleo se aproxime de valores recordes. Fatores como o crescimento expressivo de veículos elétricos na China e restrições impostas às suas refinarias contribuem para essa retração. Além disso, as refinarias globais operam em sua capacidade máxima, muitas delas afetadas por ataques durante o conflito, limitando a absorção de novo petróleo bruto.