Guerra no Oriente Médio: América Latina em risco de nova crise de dívida
Historiador Niall Ferguson alerta que a guerra no Oriente Médio e a tensão em Taiwan podem gerar crise de dívida na América Latina e impactar a economia global.

O historiador Niall Ferguson alertou sobre o risco de uma nova crise de dívida na América Latina, caso a atual guerra no Oriente Médio se prolongue. Durante sua participação na Expert XP, Ferguson destacou que o bloqueio do Estreito de Ormuz, que levou o preço do petróleo a US$ 100, tem impactos globais significativos, afetando não apenas o mercado de fertilizantes e companhias petrolíferas asiáticas, mas também o Brasil e o mercado de ações mundial.
## Impactos Econômicos no Brasil e América Latina
Ferguson ressaltou que o Brasil, já com uma das maiores taxas de juros reais do mundo, pode sofrer um choque adicional devido à extensão da guerra e à inflação global. "Pergunto se a gente não está no caminho para uma próxima crise de dívida na América Latina", questionou o historiador, sublinhando a vulnerabilidade da região a choques externos. Ele criticou a estratégia inicial dos EUA na região, comparando-a com a intervenção na Venezuela, e apontou falhas na condução da ofensiva contra o Irã, que resultou em uma mudança de regime indesejada e na vulnerabilidade de países vizinhos a ataques.
## Tensão em Taiwan e a Nova Guerra Fria
Além do conflito no Oriente Médio, Niall Ferguson também expressou preocupação com um eventual fechamento do Estreito de Taiwan, por onde flui 90% dos semicondutores avançados produzidos pela TSMC, principal fornecedora da Nvidia. Uma interrupção nesse comércio teria consequências drásticas para a economia global e para o mercado de ações americano. Ferguson acredita que Pequim busca controlar Taiwan sem necessariamente invadir, mas por meio de ações assertivas que poderiam isolar a ilha e colocar os Estados Unidos em uma posição delicada.
O historiador mencionou que a menor disponibilidade de arsenal americano para deter a China, devido aos ataques no Irã, pode encorajar Pequim. Apesar dos riscos, Ferguson ironizou que, em meio a tensões geopolíticas, estar em São Paulo seria mais seguro do que em Kiev ou Dubai. Ele aconselha a América Latina a pensar grande e a aproveitar sua localização estratégica, agindo como uma "Suíça" na nova guerra fria entre EUA e China, evitando o campo de batalha e mantendo boas relações com as superpotências.