Guerra no Irã gera "choque adicional" para economia brasileira, diz historiador
Historiador Niall Ferguson afirma que guerra entre EUA e Irã impõe "choque adicional" ao Brasil, elevando inflação e risco de crise de dívida na América Latina.

O historiador britânico Niall Ferguson alertou que a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, que ele classificou como uma "Terceira Guerra do Golfo", representa um "choque adicional" para a economia brasileira. A declaração foi feita durante o evento Expert XP, realizado em São Paulo.
## Impacto Global e no Brasil
Ferguson explicou que o fechamento do Estreito de Ormuz e a alta do barril de petróleo, que se aproxima de US$ 100, criam um cenário de inflação global. Esse efeito, segundo ele, pode desencadear uma crise de dívida em países da América Latina. O historiador destacou que o Brasil, sendo uma economia intensiva em commodities e com algumas das mais altas taxas de juros reais do mundo, é particularmente vulnerável a esses choques. A cadeia de suprimentos de fertilizantes e a indústria petroquímica asiática também são afetadas, gerando um impacto generalizado na economia mundial.
## Risco de Crise da Dívida
O autor de "A ascensão do dinheiro" expressou preocupação com as consequências do prolongamento do conflito, questionando a direção em que o mundo está caminhando. Ele comparou a complexidade do sistema econômico global a um "castelo de cartas", onde um choque no Estreito de Ormuz tem o potencial de precipitar uma crise de dívida em outras partes do globo. Ferguson lembrou que, na tentativa de replicar estratégias usadas na Venezuela, a administração Trump considerou uma abordagem militar contra o Irã, visando "encontrar uma versão iraniana de Delcy Rodríguez". No entanto, essa estratégia resultou no fortalecimento da linha-dura militar do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), o que, segundo o historiador, "deu muito errado".
## Vulnerabilidades Expostas
Ferguson também apontou que o novo governo iraniano adotou medidas que surpreenderam Washington. Uma delas foi o uso de drones e mísseis para consolidar o controle sobre o Estreito de Ormuz. Outra foi a retaliação contra países vizinhos do Golfo, como os Emirados Árabes Unidos, evidenciando a vulnerabilidade da região a ataques aéreos. Essas ações demonstram a capacidade do Irã de afetar rotas comerciais e a segurança regional, com repercussões econômicas globais.