Governo Lula Reage a Tarifaço Americano e Acusa Interferência
Governo Lula reage a novas tarifas de 25% dos EUA, acusa interferência política e anuncia Lei de Reciprocidade. Setor industrial expressa apreensão com impacto nas exportações.

O governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reagiu firmemente nesta quinta-feira (16/7) ao novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que estabeleceu taxas de 25% sobre a importação de diversos produtos brasileiros. Em resposta coordenada, um grupo de ministros e o vice-presidente Geraldo Alckmin se pronunciaram para rebater as novas tarifas e as críticas feitas pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, ao presidente Lula. A postura oficial brasileira combinou acusações de interferência política dos EUA, críticas à família Bolsonaro e o anúncio de que o país acionará a Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso.
## Reação Oficial e Críticas a Rubio
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou as novas tarifas como uma tentativa de interferência externa, declarando que o governo não "baixaria a cabeça" nem agiria com "viralatice". Essa declaração foi uma resposta direta às críticas de Marco Rubio, que responsabilizou Lula pelo fracasso das negociações comerciais e atribuiu as novas tarifas à postura do presidente brasileiro. Rubio afirmou em suas redes sociais que "o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa fé" e que "suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros".
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, considerou as declarações de Rubio "inaceitáveis e ofensivas", classificando-as como incompatíveis com as relações entre países amigos e um "desrespeito" ao chefe de Estado brasileiro. Vieira sugeriu que as críticas americanas refletem a insatisfação com a resistência brasileira a "pretensões desmedidas e demandas irrazoáveis" durante as negociações. A fala de Durigan também foi interpretada como uma alusão a Flávio Bolsonaro, que teria enviado uma carta a Rubio oferecendo um grupo de transição para um eventual governo americano.
## Impacto no Setor Empresarial
O setor empresarial brasileiro manifestou forte apreensão com o novo tarifaço. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou que a sobretaxa agrava um cenário já pressionado para as exportações nacionais e aumenta a insegurança para as empresas. Segundo a CNI, as exportações brasileiras para os EUA já haviam caído 13% (US$ 2,6 bilhões) desde a adoção das tarifas no ano anterior, e o novo cenário tende a piorar a competitividade da indústria. Setores como móveis, calçados, têxtil, tabaco e madeira, que já sofriam com taxas de 10% e pleiteavam isenção, foram recusados. A indústria de armas e munições também será afetada.
Apesar das novas taxas, a fonte também aponta que mais de 2.100 produtos foram isentos, e 12 categorias que estavam sob investigação escaparam das sobretaxas, como café solúvel e filé de tilápia. A regra de não duplicação será aplicada a setores como aço e alumínio, que enfrentavam taxas de 50%. O governo brasileiro reiterou que continuará aberto a negociações, buscando proteger a soberania nacional sem ceder a pressões estrangeiras.