Gestores Alertam: Juros Altos Podem Levar Brasil à Quebra
Gestores de investimentos alertam que o Brasil pode enfrentar uma crise se os juros não caírem e a situação fiscal não for resolvida. Eles recomendam títulos de inflação em vez do CDI.

Grandes gestores de investimentos no Brasil expressam preocupação com o cenário econômico futuro, alertando que a manutenção dos juros elevados ou a situação fiscal precária podem levar o país a uma crise. A perspectiva de recessão em 2027, um fiscal "debililitado" e a necessidade de ajustes significativos levam especialistas a preferir a exposição a títulos de inflação em detrimento de papéis atrelados ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário).
Bruno Cordeiro, sócio da Kapitalo Investimentos, avalia que o Brasil tem "probabilidade muito alta de recessão contratada para o ano que vem", independentemente do resultado eleitoral. Ele também considera baixa a chance de o Banco Central precisar reduzir os juros. Nesse contexto, Cordeiro sugere que a renda fixa oferece bom valor, mesmo com o endividamento público. No entanto, ele argumenta que os títulos pós-fixados, atrelados ao CDI, não são a melhor opção, perdendo para os indexados à inflação e até para prefixados de curto prazo.
João Landau, CIO e sócio-fundador da Vista Capital, compartilha a visão de que o CDI pode se tornar um "perdedor" em cenários de queda de juros, devido ao risco de reinvestimento, ou se a Selic subir. Ele destaca que os títulos IPCA+ (atrelados à inflação) seriam ainda mais vantajosos nessas situações. Landau interpreta os sinais do Tesouro Nacional, que enfrenta dificuldades para emitir NTN-Bs a taxas consideradas altas, como um indicativo de "dominância fiscal", resumindo a situação com a frase: "O Tesouro está basicamente dizendo que esse juro precisa cair ou quebramos".
## Alternativas de Investimento e Cenário Político
Além da renda fixa atrelada à inflação, Landau sugere que investidores podem buscar proteção na Bolsa de Valores, com ações de empresas ligadas à "economia real", como o setor de shopping centers. Ele também valoriza ações de companhias que não sofrem intervenção governamental direta.
Em relação ao cenário político, Landau considera a dívida-PIB como "subestimada" pelo mercado e afirma que "não existe mais ajuste pequeno". Ele avalia um quarto mandato do atual presidente como improvável, citando a dificuldade em crescer nas pesquisas e o histórico de maior abstenção entre seus eleitores. Contudo, ele também critica o principal opositor, sugerindo que este "está no segundo livro de como perder uma eleição".
Ruy Alves, sócio e co-gestor de fundos multimercados na Kinea Investimentos, descreve os dois principais candidatos ao Planalto como "uma pessoa que vai para seu quarto mandato e até hoje não fez (um ajuste fiscal) e um opositor que não tem track record". Alves enfatiza que "não existe salvador da pátria" e que, mesmo com a vitória de um opositor, a solução para a questão fiscal brasileira exigiria "um esforço enorme".
Os gestores concordam que a definição da situação fiscal do Brasil é crucial e precisa ocorrer nos próximos meses, "por bem ou por mal", para direcionar as estratégias de investimento em um ambiente de incertezas econômicas e políticas.