Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) expandem atuação no Brasil
Especialistas financeiros veem o crescimento dos FIDCs no Brasil, que já gerenciam quase R$ 1 trilhão, como apenas o início de um mercado promissor e resiliente, com potencial para diversificar o crédito e oferecer retornos atrativos.

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) consolidam sua presença no mercado financeiro brasileiro, com um patrimônio que se aproxima de R$ 1 trilhão. Gestores experientes avaliam que este expressivo crescimento representa apenas o início de um potencial ainda maior para este instrumento de investimento.
## Potencial de Crescimento e Benefícios
Bruno Spilberg, gestor de crédito da SPX Capital, destaca que os FIDCs vieram para ficar e que seu tamanho atual é apenas a ponta do iceberg. Ele observa que bancos, empresas e investidores têm reconhecido os benefícios desses fundos. Para as instituições financeiras, os FIDCs se mostram um instrumento interessante para alocação de capital. Já para as empresas, podem oferecer alternativas mais vantajosas que o crédito bancário tradicional. Para os investidores, representam uma opção para planejamento tributário, diversificação e uma relação risco-retorno atrativa.
Delano Macedo, sócio-fundador e diretor de crédito da Solis Investimentos, acrescenta que o Banco Central tem incentivado a redução da concentração de crédito nos grandes bancos, o que favorece o mercado de capitais. A liberação dos FIDCs para o investidor de varejo, segundo Macedo, é um sinal de maturidade do setor, com o número de investidores triplicando desde 2005. Ele prevê que essa estratégia de crescimento continuará, mesmo em cenários econômicos desafiadores, pois os FIDCs conseguem identificar setores resilientes para investimento.
Gustavo Cortes, sócio gestor de private credit da Vinci Partners, vincula o crescimento dos FIDCs à tendência de desbancarização no Brasil, seguindo o modelo de outros países. Ele aponta que o mercado de crédito privado está assumindo o papel de fornecedor de crédito e capital para o setor privado, impulsionado também por novas tecnologias que levam o crédito a setores diversos. Cortes expressa otimismo com o mercado, prevendo um florescimento cada vez maior do crédito privado.
## Flexibilidade e Adaptação do Mercado
Um dos grandes diferenciais dos FIDCs, segundo Macedo, é sua capacidade de serem customizados para atender a diferentes tipos de ativos, como pequenas e médias empresas, crédito consignado privado ou segmentos onde a escala bancária não é vantajosa. Ele compara o FIDC a um "canivete suíço", capaz de atender a cada ativo específico e impulsionar a procura por nichos de mercado. Essa flexibilidade aproxima os fundos da economia real e oferece mais opções aos investidores. Os próprios bancos têm atuado como cedentes de ativos e também como investidores, entrando em cotas subordinadas com recursos de suas tesourarias.
Cortes lembra que, apesar do cenário econômico desafiador, os FIDCs já demonstraram resiliência em diversas crises desde os anos 2000. A estrutura de securitização, com a segregação de tranches e as cotas subordinadas, atua como um amortecedor contra a inadimplência. Ele recomenda, no entanto, que investidores analisem o histórico do gestor e o comportamento do setor de atuação do FIDC em períodos de crise, pois existem segmentos mais e menos sensíveis.
Bruno Spilberg reconhece a preocupação de que o mercado possa ter crescido demais, mas reitera que a estrutura dos FIDCs tem suportado problemas passados. Delano Macedo observa que os fundos ganharam popularidade devido à sua menor volatilidade e retornos robustos, mesmo em tempos de crise. Contudo, ele enfatiza a necessidade de disciplina, governança e regras rígidas na concessão de crédito para sustentar esse crescimento, garantindo que o perfil dos recebíveis seja compatível com os prazos dos investidores.