Frigoríficos avaliam layoff após China impor cota para carne bovina

Frigoríficos brasileiros consideram layoff e férias coletivas devido à cota imposta pela China para carne bovina, buscando ajustar produção e lidar com menor demanda.

Frigoríficos avaliam layoff após China impor cota para carne bovina

Diante do preenchimento da cota de exportação de carne bovina para a China, frigoríficos brasileiros já começam a implementar férias coletivas e avaliam a adoção do layoff como medida para ajustar a produção. A situação remete ao período da pandemia de Covid-19, quando o mecanismo foi amplamente utilizado para preservar empregos frente à retração econômica.

## Layoff: Uma ferramenta contra a queda de demanda

Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), indicou que as empresas mais dependentes do mercado chinês já iniciaram a redução da produção e o uso de férias coletivas. Outras estratégias para enfrentar o cenário de menor demanda também estão em análise. Perosa ressaltou a cautela do setor neste ano e mencionou o layoff como uma possibilidade, um mecanismo previsto na legislação trabalhista brasileira.

O layoff, previsto no artigo 476-A da CLT, permite a suspensão temporária do contrato de trabalho ou a redução da jornada e salários, como alternativa às demissões em massa em períodos de baixa atividade econômica. A adoção dessa medida exige negociação coletiva entre a empresa e o sindicato da categoria, não podendo ser unilateral. Durante o período de suspensão, que pode variar de dois a cinco meses, o trabalhador mantém o vínculo empregatício e pode participar de programas de qualificação profissional, recebendo uma bolsa do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e outros benefícios previstos em acordo.

## Paralelos com a pandemia e o novo cenário chinês

Embora os motivos sejam diferentes, a estratégia atual dos frigoríficos guarda semelhanças com as ações tomadas entre 2020 e 2021. Naquele período, a pandemia causou interrupções na produção, surtos da doença entre trabalhadores, desafios logísticos e incertezas no consumo global, levando à adoção de férias coletivas, redução de jornada e suspensão temporária de contratos para evitar demissões em massa.

Atualmente, o desafio não reside na capacidade produtiva, mas sim na diminuição da demanda por parte da China, principal comprador da carne bovina brasileira. Manter o volume de produção sem a mesma quantidade de pedidos de exportação resultaria no aumento de estoques e custos operacionais. O layoff surge, nesse contexto, como uma forma de reduzir temporariamente a atividade industrial, permitindo que as empresas se reorganizem enquanto aguardam a recuperação do mercado internacional, sem quebrar o vínculo com os empregados.

No início de 2020, a pandemia também afetou as negociações de contratos, com importadores chineses suspendendo pedidos devido aos lockdowns e incertezas. A habilitação de novos frigoríficos brasileiros para exportação também foi paralisada temporariamente. Com a recuperação econômica chinesa e a necessidade de recompor estoques, as compras de carne bovina voltaram a crescer. No entanto, a China implementou políticas sanitárias mais rigorosas, impactando os embarques brasileiros.