Flávio Bolsonaro defende Brasil em audiência sobre tarifas dos EUA

Flávio Bolsonaro participa de audiência nos EUA contra tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e defende o Pix. Governo envia observadores.

Flávio Bolsonaro defende Brasil em audiência sobre tarifas dos EUA

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, participou nesta terça-feira (7/7) de uma audiência pública nos Estados Unidos, em Washington, organizada pelo Escritório do Representante de Comércio (USTR) para debater a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A investigação, aberta pelo governo Donald Trump em julho do ano anterior, apura supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil.

Flávio Bolsonaro discursou na audiência, defendendo a não implementação da sobretaxa e solicitando que os dois países busquem uma solução dialogada. Em um documento de 86 páginas enviado às autoridades americanas, o senador pediu a suspensão do chamado "tarifaço" e que o Pix, sistema de pagamentos eletrônicos brasileiro, não seja incluído na disputa. Ele argumentou que a imposição de tarifas nas semanas que antecedem as eleições brasileiras pode ser interpretada como uma tentativa de influenciar o resultado eleitoral, fortalecendo politicamente o atual presidente.

Representantes de diversos setores do Brasil, como arroz, café solúvel e mel, também se manifestaram contra as tarifas, defendendo a inclusão de seus produtos em listas de exceção. Por outro lado, setores como o de etanol e pecuária dos EUA demonstraram apoio à taxação. No entanto, alguns representantes americanos, como os da Câmara de Comércio dos EUA e de pequenas empresas, alertaram para as consequências imprevistas e o impacto negativo das tarifas na economia americana, defendendo o diálogo bilateral.

Representantes da organização americana Public Citizen defenderam o Pix, destacando-o como uma infraestrutura pública digital focada em inclusão financeira e argumentando que as políticas brasileiras para o setor digital não são discriminatórias contra empresas americanas. A acusação dos EUA é de que o Banco Central favorece o Pix em detrimento de outros meios de pagamento, prejudicando empresas americanas de pagamentos eletrônicos.

Apesar das manifestações contrárias, há um sentimento entre alguns participantes de que o Brasil dificilmente escapará da medida, embora possa haver exclusão de alguns produtos. O governo brasileiro decidiu enviar observadores da Embaixada do Brasil em Washington para acompanhar a audiência, com o objetivo de tomar conhecimento dos argumentos apresentados sem interferir na estratégia de negociação. Uma reunião negociadora entre o USTR e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) está prevista para esta semana, após o ministro Márcio Elias Rosa ter entregue uma proposta de solução para os pontos prioritários nas negociações.

A decisão final sobre as tarifas é aguardada para 15 de julho, mas a investigação, que tem um caráter político, já gerou debates sobre seus impactos econômicos e eleitorais. A participação de Flávio Bolsonaro na audiência, que ocorreu no último dia de debates, visou "virar a página" e defender os interesses brasileiros.