Fim da 'taxa das blusinhas' impulsiona compras internacionais em 118%
Fim da 'taxa das blusinhas' causa salto de 118% em compras internacionais em junho, atingindo recorde histórico de 28,36 milhões de remessas. Varejo nacional expressa preocupação.

O fim da chamada 'taxa das blusinhas', que previa a cobrança de imposto de importação para compras internacionais abaixo de US$ 50, resultou em um disparo de 118% no volume de encomendas recebidas pelo Brasil em junho de 2026. Segundo dados da Receita Federal, o país registrou 28,36 milhões de remessas internacionais nesse período, o maior patamar já alcançado.
O número representa um crescimento significativo em comparação com junho de 2025, quando foram contabilizadas 13,02 milhões de encomendas. A alta também foi expressiva em relação a abril de 2026, último mês antes da isenção, com 16,51 milhões de remessas, e superou em 84% a média dos quatro primeiros meses do ano, que era de 15,42 milhões.
A 'taxa das blusinhas' era vista por muitos consumidores brasileiros como um fator que encarecia produtos populares e diminuía a atratividade de plataformas internacionais. Críticos também apontavam uma vantagem para turistas em viagens internacionais, que não recolhiam o tributo em determinada cota de compras ao retornar ao país.
O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), que representa grandes varejistas nacionais, expressou preocupação com o aumento das compras em plataformas estrangeiras. Segundo o IDV, a isenção do imposto de importação pode levar a uma retração no volume de vendas do varejo brasileiro em alguns setores e, a longo prazo, impactar o emprego e os investimentos futuros.
Por outro lado, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que inclui empresas como Alibaba, Amazon e Shein, considerou a alta nas importações de baixo valor como um movimento natural e esperado após a revogação da taxa. A entidade ressalta, contudo, a necessidade de cautela e análise de, no mínimo, seis meses para confirmar se o crescimento se sustentará. A Amobitec defende a isenção como um avanço na democratização do consumo, promovendo inclusão social e movimentando a economia.
É importante notar que, apesar da isenção do imposto federal, os estados mantiveram a tributação por meio do ICMS, com alíquotas entre 17% e 20%, que permanecem em vigor. A medida provisória que zerou a tributação federal ainda aguarda aprovação do Congresso Nacional para se consolidar, com prazo de expiração em setembro, caso contrário, a cobrança poderá ser restabelecida.