Fábrica da GWM e portos prometem aquecer mercado imobiliário do ES

Investimentos em fábrica da GWM e novos portos no Espírito Santo devem aquecer o mercado imobiliário, especialmente em Aracruz e no Sul do estado, com potencial para compensar efeitos de juros altos.

Fábrica da GWM e portos prometem aquecer mercado imobiliário do ES

O Espírito Santo se prepara para um novo ciclo de expansão no mercado imobiliário, impulsionado por investimentos bilionários em infraestrutura e indústria. A instalação da fábrica da montadora chinesa Great Wall Motor (GWM) em Aracruz e a implantação de novos complexos portuários no Norte e Sul do estado são os principais motores dessa expectativa. A avaliação foi feita durante o painel "Taxa de juros: para onde vai a economia?", parte do projeto Diálogos promovido por A Gazeta na Feira ES Construção.

Embora o debate tenha abordado os efeitos da taxa básica de juros, o consenso entre os especialistas foi que os grandes projetos industriais têm o potencial de mitigar os impactos negativos do crédito caro. Alexandre Schubert, presidente da Ademi-ES (Associação de Empresas do Mercado Imobiliário), destacou Aracruz como o principal polo dessa transformação, com o Sul do estado seguindo o mesmo caminho com o avanço do Porto Central.

"Aracruz deve ser a bola da vez nos próximos anos", afirmou Schubert. Segundo ele, a chegada da GWM não demandará apenas novas moradias, mas também uma ampla estrutura de apoio para fornecedores e empresas satélites. A experiência de outras montadoras indica que o entorno de grandes fábricas gera significativamente mais atividade econômica do que a operação principal, com negócios satélites podendo representar até 70% a mais de área explorada.

Essa dinâmica deve impulsionar principalmente condomínios logísticos, galpões industriais, empreendimentos comerciais e o mercado residencial. Schubert ressaltou a necessidade de os municípios se prepararem rapidamente para essa nova demanda, alertando para a revisão de planos diretores, agilização de licenciamentos e o combate à especulação imobiliária em cidades como Aracruz e Presidente Kennedy, para evitar que o aumento do preço dos terrenos inviabilize novos investimentos.

Os novos portos, segundo Schubert, não serão meras estruturas de movimentação de cargas. Eles têm potencial para se tornarem polos industriais, atraindo inúmeras unidades fabris para suas áreas e arredores, funcionando como hubs logísticos nacionais e até continentais. Essa capacidade ampliada de atração de empresas foi destacada por Abdo Filho, colunista de Economia e Negócios de A Gazeta, que mediou o debate.