Exportação de Carne Brasileira para UE em Risco em Setembro

Exportações de carne bovina brasileira para a União Europeia estão em risco a partir de setembro devido a exigências ambientais e sanitárias. O setor frigorífico já enfrenta dificuldades com restrições chinesas e teme impacto global.

Exportação de Carne Brasileira para UE em Risco em Setembro

O setor frigorífico brasileiro enfrenta um cenário desafiador para o segundo semestre de 2026. Além das dificuldades já impostas pela China, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) expressa preocupação com a possibilidade de suspensão das exportações de carne bovina para a União Europeia a partir de setembro. A medida seria uma resposta às exigências ambientais e sanitárias cada vez mais rigorosas do bloco europeu.

## Pressão sobre a Indústria

Roberto Perosa, presidente da Abiec, destacou a alta probabilidade de interrupção das vendas para a UE durante a apresentação do "Beef Report", relatório anual da entidade. "Há uma grande possibilidade de a gente não conseguir vender mais para a União Europeia a partir de setembro e ter um período de adaptação", afirmou Perosa. Embora a União Europeia represente uma parcela menor do faturamento total das exportações de carne bovina brasileira (entre 5% e 6%), o mercado europeu possui alto valor agregado e forte peso reputacional. Restrições nesse mercado podem ter repercussões negativas em outros continentes, como Ásia, Américas e África.

O impacto financeiro nos frigoríficos é direto. A redução na demanda global e a dificuldade em absorver a produção excedente com margens de lucro satisfatórias já colocam a maioria das indústrias em situação delicada, operando "no vermelho". Conforme relatado por Perosa, algumas empresas já recorreram a férias coletivas, demissões e redução do número de abates como medidas de contenção. A possibilidade de utilizar o lay-off, suspensão temporária de contratos de trabalho com apoio governamental, também está sendo considerada.

O cenário foi agravado pelas novas regras alfandegárias impostas pela China no final de 2025. Em 2025, o Brasil exportou 1,65 milhão de toneladas para o país asiático. Com as cotas estabelecidas, a projeção da Abiec é que este volume caia para aproximadamente 900 mil toneladas em 2026, diminuindo significativamente um dos principais mercados do setor.

## Reflexos no Mercado Interno

A curto prazo, o excesso de carne destinado ao mercado interno, devido às restrições de exportação, pode levar a uma queda nos preços para o consumidor brasileiro. No entanto, a Abiec prevê que essa redução seja temporária. Com as margens de lucro das indústrias comprometidas, espera-se uma diminuição no ritmo de produção. "Num primeiro momento, pode ser que tenha um arrefecimento do preço. Mas, num segundo momento, com a diminuição da produção, a tendência é que os preços se mantenham estáveis ou aumentem no mercado interno", alertou o presidente da associação.